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Muita arte na rede Ello:

terça-feira, 1 de julho de 2014

UM ÊXTASE EM TUBO DE VIDRO e NA DIREÇÃO DO EQUADOR MAS COM MEUS PÉS AINDA MIRANDO O NORTE, dois poemas de "That Dada Strain", de JEROME ROTHENBERG, traduzidos por Adrian'dos Delima.

Alôssom do dadá. Baseado em obra de Jerome Rothenberg e na Fonte de M. Duchamp.


UM ÊXTASE EM TUBO DE VIDRO, PARA HUGO BALL¹
Cabaret Voltaire, Zurique, 1916

Um tubo de vidro
para minha perna    diz Hugo Ball
meu chapéu um cilindro
em azul e branco
a noite    os avestruzes alemães    o ralo
ele mija em
todos estes que se tornam seu mundo
sua canção dadá, iniciada ali
segura a imagem
até ela vir a nós:
a imagem desde a sua mistura
olha para baixo:
um laço
um revólver
lama
estas contribuem
com a morte dele
e com o que a morte dele contribui
mais tarde, também histérico
também doente com deus
& tempo:
um carrossel
um poeta fritado
peixe
a rainha diz para a mente dele
e entra
onde a rua de espelhos começa
ela vê o rosto dele
refletido
na fome do mundo
como a pena, a consciência
da morte    não por morrermos
um tanto mas por sonharmos isso
& porque nossos sonhos não podem salvar
o morrente último
Hugo
enquanto escrevo este poema
a voz grita
de um outro cômodo
o dançarino/ cantor me chama
de um outro cômodo
eu passo por um obelisco
abaixo da cintura
para cantar minha boca abre
mas gela
a fecho
de pesar por ti
ombula
tak-e
bitdli
solunkola
colapso da língua
tabla tokta tokta takabala
taka tak
um êxtase em tubo de vidro
escapa do tempo
babula m’balam²
a imagem & a palavra
sobre tua cama
caem    crucificadas
de novo o cabaret explode
de novo de novo
fadiga
1
em vidro
um nervo de vidro
&
uma bomba de gás clerical
pula
do cabelo dela


Tradução Adrian'dos Delima


1 poema de "That dada strain", 1983.
2 “ombula/tak-e/bitdli/solunkola” “tabla tokta tokta takabia/
taka tak” e “babula m’balam” são trechos de Totenklage (1916), poema fonético de Hugo Ball.




A GLASS TUBE ECSTASY, FOR HUGO BALL
Cabaret Voltaire, Zurich, 1916

A glass tube
for my leg    says Hugo Ball
my hat a cylinder
in blue & white
the night    the german ostriches    the sink
he pisses in
all these become his world
his dada song, begun there
holds the image
until it comes at us:
the image from its cross
looks down:
a ribbon
a revolver
mud
these contribute
to his death
also to what his death contributes
later, too hysterical
too sick with god
& time:
a carousel
a roasted poet
fish
the queen says to his mind
& enters
where the street of mirrors starts
she sees his face
reflected
in hunger of the world
as pain, the consciousness
of death    not why we die
bit why we dream about it
& why our dreams can’t save
the dying remnant
Hugo
as I write this poem
the voice cries
from a further room
the dancer / singer calls me
from a further room
I step into an obelisk
below the waist
my mouth opens to sing
but freezes
shut
in grief for you
ombula
tak-e
bitdli
solunkola
the collapse of language
tabla tokta tokta takabala
taka tak
a glass tube ecstasy
escapes from time
babula m’balam
the image & the word
over your bed
hang    crucified
again the cabaret explodes
again again
fatigue
one
foot
in glass
a glass nerve
&
a priestly gas pump
pulls
her hair out



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Na direção do equador mas com meus pés ainda mirando o norte¹



olhos pálidos. a árvore

é amigável

amigo Jerome    diz ele

meu relógio diz

3:15.
eu ando pela velha esquina da Main Street
passa o Seneca
Theater & cruzo
a ponte.  olá
vocês cidadãos de
Salamanca.
olá o cão diz.
ele é o amigo da árvore
& meu.
ele é uma cor amarela
tola.  olhos estão brilhando
levemente dentro dos olhos.
em Iucatã os céus nunca são
vagos & as árvores
de Iucatã falam maya.
alguém nos conta:
vocês vão ir em viagem.

                                                  Tradução Adrian'dos Delima


1 De A Seneca Journal, 1975. Republicado com nova versão em That DADA Strain (1981)*, com o título de “A Poem – Maybe a dream – For Travelers” (Um poema – talvez um sonho – para viajantes). Nesta segund versão o poeta suprimiu quase toda a pontuação, com exceção dos “dois pontos” na penúltima linha.2 O Seneca Theater (Teatro Sêneca) se chama atualmente Ray Evans Seneca Theater e se localiza na cidade de Salamanca, Nova Iorque, a qual é situada na reserva dos povos Seneca. Todos os seus moradores pagam um valor anual pelo arrendamento da terra junto aos indígenas.

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In the Direction of the Equator but My Feet Still Facing North



pale eyes.  the tree    

is friendly                   

friend Jerome    he says

my watch says           

3:15.                          

I walk to the old corner of Main Street
past the Seneca          
Theater & cross         
the bridge.  hello        
you citizens of            
Salamanca.                            
hello the dog says.     
he is the tree’s friend 
& mine.                      
he is a silly yellow      
color.  eyes are shining
lightly into eyes.         
in Yucatan the skies are never
empty & the trees       
of Yucatan talk Mayan. 
someone tells us:        
you are going on a trip.



* Aquele som do dadá. Tradução Adrian'dos Delima.



Poema para tempos de totalitarismo globalizante, ou globaritarismo, Adrian'dos Delima.

AO UIVO DO LOBO DE GUARDA
1.
20 matilhas espreitam
  à espera do uivo-chefe
do lobo de guarda

As forças do mal aguardam

   Num momento mais frágil
de um passo ele se solta
   e ao som desse comando
avançam as patas dos bandos

os caninos vazam sangue
a sede parece não vai desfazer-se
uma neblina gelada desce

   nas mãos com pau e pedra
    como podem aldeões se defendem

2.
Os blindados disparam gás
sobre a massa

      Dart Vader e sua múltipla cópia
  holográfica
         de entre escudos
                                               emerge bocarras de botas

Cada bando abre
um espaço-buraco
contra as pessoas que se espalham

Cassetetes como lanças se apontam

Umas balas de borracha outras de chumbo
Anos de chumbo

No ataque ao povo
      a verdade é a primeira
             que cai deitada

  Uma ou duas mortes entre as vítimas

 Cada matilha dispersa pimenta
                            nos olhos das baixas

     E mesmo as câmeras são cegadas



É essa a democracia dos cães