Muita arte na rede Ello. Visualize:

Muita arte na rede Ello:

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Another poem about violence and coups on democracy. In English, Castellano & Português. Otro poema sobre violencias y golpes en contra la democracia. Outro poema sobre violências e golpes contra a democracia.



FROM BRAZIL WITHOUT LAW TO ANY PLACE
left
after the holocaust
a cloister from where
the words don't come out
after hiroshima
after more
a coup on
democratic state
a knot at the gullet
and on the knuckles
that no more exits none saying
nor records itself
more than a silence
in this world where the cowardice
not autographs itself

08 13 2016
...
DEL BRASIL SIN LEY PARA TODO LUGAR

restó
después del holocausto
un claustro de adonde
las palabras no salen
después de hiroshima
después de un nuevo
golpe em el
estado democrático
un nudo en la garganta
y en los los nudillos
que ya no sale nada dicho
ni se graba
más que un silencio
en este mundo donde la cobardía
no se autografía



13 08 2016
...
DO BRASIL SEM LEI PARA TODO LUGAR
ficou
depois do holocausto
um claustro de onde
as palavras não saem
depois de hiroshima
depois de mais
um golpe no
estado democrático
um nó na goela
e nos nós dos dedos
que já não sai nada dito
nem se grava
mais que um silêncio
neste mundo onde a covardia
não se autografa

13 08 2016

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

TUNED UP COUP SPEECH/ DISCURSO AFINADO DO GOLPE. Poem about the juridical, parliamentary and mediatic coup in Brazil, 2016. Poem and translation into English by Adrian’dos Delima. Poema sobre o jurídico, parlamentar e midiático golpe no Brasil, 2016. Poema e tradução ao inglês Adrian’dos Delima.



Poem about the juridical, parliamentary and mediatic coup in Brazil, 2016. Poem and translation into English by Adrian’dos Delima.

Poema sobre o jurídico, parlamentar e midiático golpe no Brasil, 2016. Poema e tradução ao inglês Adrian’dos Delima.



TUNED UP COUP SPEECH

devourer each
zombie word
eats pieces
critics of your brain
while

every roguish word
convinces the rest
wich left of your head
tired of being eaten
a full day

08 03 2016

***

DISCURSO AFINADO DO GOLPE

devoradora cada
palavra zumbi
come pedaços
críticos do teu cérebro
enquanto

cada palavra malandra
convence o resto
que sobra da tua cabeça
cansada de ser comida
um dia inteiro

03 08 2016

sábado, 30 de julho de 2016

ARCHAEOLOGY OF THE INFORMATION/ ARQUEOLOGIA DA INFORMAÇÃO. Poem inspired by the big media from Brazil, which took part in the coup of 2016 against the democracy and wich more disinforms than informs. Poem in English and Portuguese.

ARQUEOLOGIA DA INFORMAÇÃO. Poema inpirado pela grande mídia do Brasil, que tomou parte no golpe de 2016 contra a democracia e que mais desinforma que informa.

Poema em inglês e português.
ARCHAEOLOGY OF THE INFORMATION.Poem inspired by the big media from Brazil, which took part in the coup of 2016 against the democracy and wich more disinforms than informs. Poem in English and Portuguese.





ARQUEOLOGIA DA INFORMAÇÃO

busco a informação
a informação não nos busca
não nos acha numa primeira
olhada
nem no jornal nem no google
nem em nenhum outro
noticiário fabricado

alguns
não acreditam no que busco
alguns
não acreditam no que tropeço
como se fato
fosse uma religião

alguns não acreditam
em verdade
quando vem junto informação
procurada

reviro o solo e aí está
fresco
o pão de hoje

30 07 2016

***

ARCHAEOLOGY OF THE INFORMATION

Poem inspired by the big media from Brazil, which took part in the coup of 2016 against the democracy and wich more disinforms than informs. Poem in English and Portuguese.


I search the information
the information does not search us
does not find us in a first
look
nor in newspaper nor on google
nor in another
manufacturing news 

some
don’t believe what I search
some
don’t believe what I stumble
as the fact
was a religion

some don’t believe
in true
when information comes together
sought

I turn the soil and is there
fresh
today bread

Translation Adrian'dos Delima

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Um poema de Paul Éluard, dedicado a André Breton. Tradução Adrian'dos Delima.










Queslques-uns des mots qui, jusqu'ici, m'étaient mystérieusement interdits


Le mot cimetière
Aux autres de rêver d'un cimetière ardent
Le mot maisonnette
On le trouve souvent
Dans les annonces des journaux dans les chansons
Il a des rides c'est un vieillard travesti
Il a un dé au doigt c'est un perroquet mûr

Pétrole
Connu par des exemples précieux
Aux mains des incendies

Neurasthénie un mot qui n'a pas honte
Une ombre de cassis entre deux yeux pareils

Le mot créole tout en liège sur du satin

Le mot baignoire qui est traîné
Par des chevaux parfaits plus laids que des béquilles

Sous la lampe ce soir charmille est un prénom
Et maîtrise un tiroir où tout s'immobilise

Fileuse mot fondant hamac treille pillée

Olivier cheminée au tambour de lueurs
Le clavier des troupeaux s'assourdit dans la plaine

Forteresse malice vaine

Vénéneux rideau d'acajou

Guéridon grimace élastique

Cognée erreur jouée aux dés

Voyelle timbre immense
Sanglot d'étain rire de bonne terre

Le mot déclic viol lumineux
Éphémère azur dans les veines

Le mot bolide géranium à la fenêtre ouverte
Sur un coeur battant

Le mot carrure bloc d'ivoire
Pain pétrifié plumes mouillées

Le mot déjouer alcool flétri
Palier sans portes mort lyrique

Le mot garçon comme un îlot
Myrtille lave galon cigare
Léthargie bleuet cirque fusion
Combien reste-t-il de ces mots
Qui ne me menaient à rien
Mots merveilleux comme les autres
Ô mon empire d'homme
Mots que j'écris ici

Contre toute évidence
Avec le grand souci
De tout dire.

***


Algunas das palabras que, até aqui, me foram misteriosamente proibidas

 

A palavra cemitério
Aos outros sonhar com um cemitério ardente
A palavra casinha
A encontramos muitas vezes
Nos anúncios dos jornais nas canções
Ele tem rugas é um velho travesti
Ela tem um dedal no dedo é um papagaio maduro

Petróleo
Conhecido por exemplos preciosos
Nas mãos dos incêndios

Neurastenia uma palavra que não tem vergonha
Uma sombra de cassis entre dois olhos iguais

A palavra crioulo toda em cortiça sobre o cetim

A palavra banheira que é arrastada
Por cavalos perfeitos mais feios que muletas

Sob a lâmpada esta noite caramanchão é um prenome
E rege uma gaveta onde tudo se imobiliza

Fiandeira palavra fondant cama de rede videira pilhada

Oliveira chaminé ao tambor de luzes
O teclado dos rebanhos silencia na planicie

Fortaleza malícia vã

Venenosa cortina de mogno

Velador careta elástica

Machado erro jogando aos dados

Vogal timbre imenso
Soluço de estanho riso de boa terra

A palavra estalido violação luminosa
Efêmero azul nas veias

A palavra bólido gerânio na janela aberta
Sobre un coração batente

A palavra espadaúdo bloco de marfim
Pão petrificado plumas molhadas

A palavra frustrar álcool murcho
Planalto sem portas morte lírica

A palavra moço como uma ilhota
Mirtilo lava galão cigarro
Letargia centáurea circo fusão
Quanto resta destas palavras
Que não me levavan a nada
Palavras maravilhosas como outras
Oh meu império do homem
Palavras que escrevo aqui

Contra toda evidência
Com a grande preocupação
De tudo dizer


O original deste poema foi publicado utilizando recursos tipográficos e dando mais liberdade às palavras, conforme ilustração. Uma raridade, impressa em poucos exemplares a que não tive acesso.
Paris, Guy Lévis Mano, 1937.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Flâmula e outros poemas no site Poebiblio, poesia brasileira em livros de arte, edições especiais e alternativas.

DELIMA, Adrian’dos. Flâmula e outros poemas. Porto Alegre, RS: Gente de Palavra, 2015.


DELIMA, Adrian’dos

DELIMA, Adrian’dos. Flâmula e outros poemas. Porto Alegre, RS: Gente de Palavra, 2015. 24 p. 17x24,5 cm. Capa em papel reciclado, estampada artesanalmente. “Adrian’dos Delima” Ex. bibl. Antonio Miranda




O livro pode ser adquirido junto à EMEF Porto Alegre, pelo Facebook da escola, que produziu as capas artesanais.

 O poema que dá título ao livro, traduzido ao inglês e traduzindo um sentimento que todos sentiremos ao fim do golpe de estado branco, nas sombras, de 2016 no Brasil, o qual derrubou inconstitucionalmente a presidente Dilma Rousseff:





The poem that gives title to the bool "Streamer and other poems", translated into English and translating a feeling that everyone in Brazil will fell at the end of the current "cold" coup d'etat against the democracy at the year 2016, a "coup in the shadows"that overthrew unconstitutionally President Dilma Roussef: :





FLÂMULA

Hoje me sinto triunfante
e vivo
o cigarro no escuro
E vem dia
e vem sol e eu
cada vez mais
vivo
queimo de paixão
pela brisa
e digo olá

***

STREAMER

Today I feel triumphant
             and living
a cigarette in the dark
And comes day
and comes sun and I
more and more
             living
burning passion
by the breeze
and say hello

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Olga Novo, Análisis de Sangre (Exame de sangue), poema em português e español/castellano.










Análisis de Sangre


Me falta hierro. Me sobra música y potasio.

Nadie me entiende yo me visto con la falda de la montaña
lloro por cualquier cosa
espero una caricia como un milagro de pan de oro y vitaminas.

Como carne de yegua. Escucho pasos en mis venas
y me invade la alegría de un nuevo amor como una tropa bárbara.

Ésta soy yo.

Mitad árbol
mitad escalera de caracol

mitad cuenco
mitad callejón de una vida al borde del Adriático

mitad bóveda mitad sombra
mitad contemplación mitad auspicio

mitad moho mitad pureza

mitad fuente mitad balcón
mitad horizonte mitad estructura mecánica

mitad flor de cerezo
memoria cortada por la mitad
mitad monte mitad yo
mitad madonna mitad nieve.

A mí nadie me entiende.
Me dejo sacar sangre y manzanas
tormenta mía
dejo que me ausculten voces del otro mundo
dirijo mi tensión como si fuera una orquesta
sacan agua de mí como de un pozo cardíaco
a veces
oscuramente
incluso sé lo que digo.

Dicen que me falta hierro a mí
pero esta garganta mía
es un metal de transición entre la palabra y el pecho.

Y al contacto con la ternura puedo adquirir un leve timbre oxidado.

En mi sueño ando pastando entre vacas en medio de un campo magnético.
En mi vida real
soy la hija pequeña de un pastor del fin del mundo
mitad bóveda mitad sombra
mitad contemplación mitad auspicio

mitad moho mitad pureza

mitad fuente mitad balcón
mitad horizonte mitad estructura mecánica

mitad flor de cerezo
memoria cortada por la mitad
mitad monte mitad yo
mitad madonna mitad nieve.

Me sacan sangre
me sacan
a mí
nadie me entiende.

Olga Novo


***

Exame de sangue




Me falta ferro. Me sobra música e potássio.


Ninguém me entende eu me visto com a saia da montanha

choro por qualquer coisa

espero una carícia como un milagre de pão de ouro e vitaminas.


Como carne de égua. Escuto pasos en minhas veias

e me invade a alegria de um novo amor como um bando bárbaro.


Esta sou eu.


Metade árvore

metade escada em caracol


metade tijela

metade beco de uma vida à beira do Adriático


metade abóbada metade sombra

metade contemplação metade auspício


metade mofo metade pureza


metade fonte metade balcão

metade horizonte metade estrutura mecânica


metade flor de cereja

memória cortada pela metade

metade monte metade eu

metade madona metade neve.


A mim ninguém entende.

Deixo me tirarem sangue e maçãs

tormenta minha

deixo que me ausculten vozes do outro mundo

dirijo minha tensão como se fosse una orquesta

tiram água de mim como de un poço cardíaco

às vezes

obscuramente

inclusive sei o que digo.


Dizem que me falta ferro

mas esta garganta minha

é um metal de transição entre a palabra e o peito.


E em contato com a ternura posso adquirir um leve timbre oxidado.


Em meu sonho ando pastando entre vacas em meio a um campo magnético.

Em minha vida real

Sou a filha pequena de um pastor do fim do mundo

metade abóbada metade sombra

metade contemplação metade auspício


metade mofo metade pureza


metade fonte metade balcão

metade horizonte metade estrutura mecânica


metade flor de cereja

memória cortada pela metade

metade monte metade eu

metade madona metade neve.



Me tiram sangue

me tiram

de mim

ninguém me entende.


Tradução Adrian'dos Delima







Olga Novo, 1975, nasceu na aldeia de Vilarmao (Pobra do Brollón), na Galícia. Licenciada em Filología galego-portuguesa, é professora no ensino secundário. Tem colaborado em numerosos meios e publicaciones literarias especializadas.  Dirigiu a revista Ólisbos , sendo coeditora
de diversas outras revistas.

                                                                                                                            

En 1996 publicou A teta sobre o sol (Ed. Do Dragón; 2ª ed. Letras de Cal, 1999). Com seu segundo livro, Nós nus (Xerais, 1996), ganha o prêmio Losada Diéguez de Creación. En 2001 publica libro Magnalia (Ed. Espiral Maior), em que colabora com o  poeta Juan Abeleira e la pintora Alexandra Domínguez. Sua última obra poética é A cousa vermella (Espiral Maior, 2004). Desde então vem publicando em diversas antologias internacionais e sendo traduzida para várias línguas.





Dedicou ensaios a  autores como André Breton, Fernando Pessoa, Eugenio Granell, Xohana Torres, Luz Pozo, Ánxel Fole, Antón Avilés de Taramancos, etc. Como pesquisadora da linguagem publicou os livros Por un vocabulario galego do sexo. A terminoloxía erótica de Claudio Rodríguez Fer (Positivas, 1996) e O lume vital de Claudio Rodríguez Fer(1999).