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domingo, 5 de abril de 2020

My poem "A beleza e a peste" in Gentil Saraiva Jr. translation


My poem "A beleza e a peste" in Gentil Saraiva Jr. translation:




THE BEAUTY AND THE PLAGUE

The wind takes the birdsongs
My street has not so few trees
The plague has spread everywhere
And people silence the road noise lately
They hide in their homes

When there is almost no smell of cars
In some streets
You can smell the perfume
Of the trees and their flowers
When passing through a small square
Even being in the center of my town
The city approaches the countryside

Some entrepreneurs claim
That no one will die
Except old and sick people
For them and for the president of my country
These lives don't matter
And other Nazis preached it
Beneficial to eliminate them

In my youth
I flipped through Antonin Artaud
And I heard him preach in the writings
That a disease had to come
For new Middle Ages
So we would be absolved
Of our purest mistakes
But we already lived in dark times

I do not know
I do not know if we will get out of this better
But these streets are better
Except at night when the police don't act
And some headless people go out to
Get together in agglomerations
And parties in houses and apartments
Contrary to one of the wisest laws
Ever decreed

The virus also moves in the air
And on the hands and feet of the infected
In global news statistics
It gallops with death in sharp turn

Since the beginning of the isolation
I don't know what it is like to write a poem
Right now that the world needs
Many words
Nice words if possible
To chase away sadness and hunger

Perhaps the new sounds and smells
In the urban jungle where they never stopped
And the new nest of the great kiskadee
On a thin branch of a tree in my yard
Bring me a new breath
And new lines may come out of my breath

Since I have moved into this house I have been
Watching the birds and seen
That some years ago
Those were gone
Now I see the yellow breast of one
On the flight under a high frond

Now
Maybe because the pollutions are gone
Many birds are coming back

We are the ones who pass
I look at my veins in my arms
And I know better than I ever knew
Only their beauty does not pass

Why the rush to return
To our frantic pace
Of robots on an assembly line
If we can stop and observe
This ancient news
And if the governments of the world can
Feed us until the storm passes

WHO KNOWS

                                         Translation Gentil Saraiva Jr.

*****

A BELEZA E A PESTE

O vento leva o canto dos pássaros
Minha rua não tem tão poucas árvores
A peste se espalhou por toda a parte
E tardiamente as pessoas silenciam o ruído das vias
Se escondem nas suas residências

Quando não há quase o cheiro dos carros
Em algumas ruas
É possível sentir o perfume
Das árvores e de suas flores
Ao passar por uma praça pequeninha
Mesmo sendo no centro da minha city
A cidade se aproxima do campo

Alguns empresários afirmam
Que não vai morrer ninguém
Senão velhinhos e doentes
Para eles e para o presidente do meu país
Essas vidas não importam
E outros nazistas pregavam
Até ser benéfico eliminá-las

Na minha juventude
Folheei Antonin Artaud
E o ouvi apregoar nos escritos
Que era preciso vir uma doença
Para uma nova Idade Média
Assim estaríamos absolvidos
Dos nossos erros mais puros
Mas já vivíamos em tempos obscuros

Não sei
Não sei se sairemos dessa melhores
Mas estão melhor estas ruas
A não ser à noite quando a polícia não age
E alguns descabeçados saem para
Se reunir em aglomerações
E festas nas casas e apartamentos
Contrariando uma das leis
Mais sensatas que já decretaram

O vírus também se move no ar
E nas mãos e nos pés dos infectados
Nas estatísticas dos noticiários globais
Ele galopa com a morte em curva acentuada

Desde o início do isolamento
Não sei o que é redigir um poema
Logo agora que o mundo precisa
De muitas palavras
Se possíveis agradáveis
Para espantar a tristeza e a fome

Talvez os novos sons e odores
Na selva urbana que nunca paravam
E o novo ninho de bem-te-vi
Em um ramo fino de uma árvore no meu pátio
Me tragam um novo alento
E novas falas possam sair do meu hálito

Desde que vivo nesta casa fui
Observando as aves e vi
Que há alguns anos haviam
Desaparecido estas
Que agora vejo de uma o peito amarelo
No voo sob uma fronde alta

Agora
Talvez porque idas as poluições
Estão voltando muitos pássaros

Somos os que passam
Olho minhas veias nos braços
E sei melhor do que jamais soube
Somente a beleza deles não passa

Por que a pressa para voltar
Ao nosso ritmo frenético
De robôs numa linha de montagem
Se podemos nos deter a observar
Estas antiquíssimas novidades
E se os governos do mundo podem
Nos alimentar até que a tempestade passe

QUEM SABE



29 03 2020





Gentil Saraiva Jr. (Espinosa, MG, 1968) é professor, tradutor, escritor, poeta, revisor e editor. Possui Graduação em Licenciatura em Letras pelo Instituto de Letras/UFRGS (1992), Mestrado em Tradução Literária pelo Programa de Pós-Graduação em Letras/UFRGS (1996) e Doutorado em Tradução Literária pelo Programa de Pós-Graduação em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2008), atuando principalmente no seguinte tema: Walt Whitman, Folhas de Relva, Tradução Literária e Ensino de Língua e Literaturas de Língua Inglesa. É autor dos livros de poemas Semente de Estrelas (2004) e Canto do amor em si (2005) De gramáticas e glossários, além de um tratado de versificação em português, entre outros livros. Traduziu, entre outros, Folhas de Relva (Walt Whitman), Transfiguração de Poemas Clássicos do Zen Budismo (Daisetu Teitaro Suzuki), Música de câmara (James Joyce), e Rubayat (Omar Khayyam).

Gentil Saraiva Jr. (born in Espinosa, MG, Brazil, 1968) is teacher, translator, writer, poet, reviewer and editor. Holds a Degree in Bachelor in arts at Institute of Letters/UFRGS (1992), a Master's degree in Literary Translation at the Graduate Program in Letters/UFRGS in 1996 and a Phd in Literary Translation at the Post-Graduate course at the Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2008), with emphasis on the following topic: Walt Whitman's Leaves of Grass and Literary Translation, and Teaching of Language and Literature in the English Language. He is the author of the books of poems "Semente de estrelas" (2004) and "Canto do amor em si" (2005). Author of grammars and glossaries, as well as a treatise on versification in Portuguese, among other books. He translated, among others, "Leaves of grass" (Walt Whitman), "Transfiguration of classical poems from Zen Buddhism" (Daisetu Teitaro Suzuki), "Chamber Music" (James Joyce), and "Rubayat" (Omar Khayyam).


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Adrian’dos Delima (Canoas, RS, 1970), pseudônimo para Adriano do Carmo Flores de Lima, é poeta, tradutor, teórico de poesia, compositor, revisor, capista e diagramador. Cursou Letras, habilitação Tradução na UFRGS, onde não se graduou em função de dificuldades econômicas. Na década de 1990 publicou poemas em antologias impressas e  fanzines fotocopiados que editou com amigos, além de editar e publicar no jornal  “Falares”, dos estudantes de letras da UFRGS. Seguindo seus estudos como autodidata, posteriormente publicou em revistas de papel e online, como a Germina, a Babel Poética, Gente de Palavra, InComunidade, Sibila, Mallarmargens, Diversos Afins, Subversa, Literatura & Fechadura e outras. Publica, sem muita regularidade, teoria literária, traduções e poemas próprios na sua página Rim&via (partidodoritmo.blogspot.com.br) e no Facebook Adrian’dos Delima. É autor dos livros de poemas “Consubstantdjetivos ComUns (Vidráguas e Gente de Palavra, 2015)” , “Flâmula e outros poemas (Gente de Palavra, 2015)” e “O aqui fora olholhante (Vidráguas, 2017)”. Produziu livro de poemas traduzidos de Joan Brossa pela Gueto Editorial.


Adrian'dos Delima (born in Canoas, RS, Brazil, 1970), better known by his stage name Adriano do Carmo Flores de Lima, is a poet, translator, poetry theorist, composer, reviwer, capist, and diagrammator. He attended letters, translation habilitation at UFRGS, where he did not graduate due to economic difficulties. In the 1990s he published poems in printed anthologies and photocopied fanzines which he edited with friends, as well as editing and publishing in the newspaper “Falares” of UFRGS students of letters. Following his studies as autodidata, he later published in paper magazines and online, such as I am not a silent poet, The curly mind - linguistically innovative poetry, Germina, Babel Poética, Gente de Palavra, InComunidade, Sibila, Mallarmargens, Diversos Afins, Subversa, and others. He publishes, without much regularity, literary theory, translations and poems of his own on his Rim&via Page (partidodoritmo.blogspot.com.br) and on Facebook Adrian 'dos Delima. He is the author of the books of poems “Consubstantdjectivos ComUns" (Vidráguas and Gente de Palavra, 2015)” , “Flâmula e outros poemas (Gente de Palavra, 2015)” and “O aqui fora olholhante (Vidráguas, 2017)”. He produced a book of translated poems of Joan Brossa by the editorial Gueto.



segunda-feira, 30 de março de 2020

Versa, de Renato de Mattos Motta - Do caos aos mitos





Versa, do caos aos mitos

Sobre o livro de poemas Versa, de Renato de Mattos Motta

poesia caótica para retratar o caos
nada melhor se inventou
a não ser na prática e usual dos últimos tempos
poesia de ver as coisas no minúsculo
ver as minúcias do mínimo
cotidiano urbano transformado em um múltiplo hai-kai rural
está em construção a poesia que organize
a urbana selvageria em uma verdadeira anarquia organicista
por mentes orgânicas
nada melhor se inventou
a não ser na prática grandes discursos filosóficos
voltados para o interior criador
essas duas vertentes das quais nem o incomensurável
Maiakovski escapou
Como o esperto Stalin percebeu
toda aquela poesia de Maiakovski e seus pares era anárquica
por isso era mister assassinar  o maior de todos
o último e intocável mestre transformado pelo acidente
de um descomunal e invencível talento
em poeta oficial, já que mesmo suas paisagens internas
retratavam incontáveis paisagens internas do povo
Renato parece escolher as musas certas
futuristas
sem pontos nem vírgula nem letras maiúsculas
poesia que tende a ser fronte de um grande edifício
e tende a uma implosão
fragmentando seus despojos para dentro de si mesma
não-nexos nexos rarefazidos
automatismos sem surrealismos
retratos rápidos e simbólico-simbolistas
eu diria que aí vamos nos aproximando do ancestral expressionismo
mas mais ação direta do que nada
antes de tudo
uma poesia suja de sangue
urbanamente assaltada assassinada
a morte comparecendo como a um Álvares de Azevedo anarquista da big city moderna
de Baudelaire
onde os sentidos já não absorvem senão
todo o tipo de poluição
por isso a pontuação comparece às vezes
como poluição que vence a liberdade do poema
porque é dito que a poesia de Renato é uma poesia
redutivelmente classificável como urbana
social-urbana
no pontapé inicial do Expressionismo
a natureza não comparece senão como signo de poluição mofo e desolação
o poema frio é a melhor metáfora do sul da América do Sul
é um exemplo claro da Estética do Frio de Vitor Ramil
o sabiá intenta um revés na máquina produtiva industrial futurista
(singelezas de Quintana ainda podem nos salvar)

em desamor a cidade desaba
de amor todos males se calam
o amor é o combustível mais fácil
com o amor-musa a poesia sempre atinge alturas
outros hemisférios
mistérios
mas, enfim, navegar é preciso
descobrir o eterno feminino
a salvação das mulheres o paraíso dos loucos
enfim, o que dizer
dessa inesgotável fonte que brota também
na poesia de Renato
poderia ela tornar-se uma grande Alexandria
biblioteca de amores
sem maiores prejuízos para ela
o sempre vivo farol antigo a guiaria
Renato poderia renascer um Kaváfis
ainda assim perderíamos o promissor poeta
social-urbano-industrial

porque
deste coração agora intimista
advêm as inquietações
as perguntas
por  que
que não exigiriam mais resposta que o ponto de interrogação se repetindo
da solidão descoberta no que tem de dura
surge ou surta a criança
o fantasma agourento do azedume adulto
a metalinguagem que assombra pela primeira vez
o medo do apagar do nosso nome
os nomes que descobrem só falar de nomes
os significantes pelos significantes
ante a insignificância dos significados
mesmo o puro significante
à moda de Millôr-poeta

e eis que de repente
do íntimo para os mitos de Renato
surge a grata surpresa de um poeta-pintor
conciso
preciso no impreciso
acentuando traços de um inicial Maiakovski
e do Kandinsky poeta
usando o clássico corte sintático do haiku
atribuindo a uma certa Pandora
os males e males
as anteriores inquietações ruins
também a essa sereia analfabeta
atribui toda a beleza
e aqui talvez reencontramos o velho Baudelaire
pai de toda a poesia moderna
suas flores do mal
modernas mesmo na forma de sonetos
ou dos solenes simulacros de soneto de Renato-sem-passo-marcado
descobridor do sonho de Ícaro


EJA Escola Marcírio: Sarau literário com o poeta Renato de Mattos ...Renato de Mattos Motta nasceu e vive em Porto Alegre. É editor, publicitário, poeta, faz xilogravuras, fotografias e histórias-em-quadrinhos, além de já ter trabalhado em teatro. Atuou nas peças “De como Raízes Transformam-se em Asas” de Cairo Trindade e “A Casa da Suplicação”, de Carlos Carvalho, 2º lugar em Conto no I Concurso Mario Quintana de Literatura DCE/ADUNISINOS; publicou “Pau de Poemas”, álbum de poesias ilustradas em xilogravura; “Salamanca”, adaptação para quadrinhos de uma lenda recolhida por J. S. Lopes Neto; além de uma coleção de fotopoemas e da “Coleção Fogo do Verbo” - caixas de fósforos com poemas. Realiza o Sarau "Gente de Palavra", mesmo nome de sua editora.


quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Poema de e.e. cummings traduzido por Daniel Senna Irgang.

2 little whos
(he and she)
under are this
wonderful tree

smiling stand
(all realms of where
and when beyond)
now and here

(far from a grown
-up i&you-
ful world of known)
who and who

(2 little ams
and over them this
aflame with dreams

incredible is)

e.e. cummings


***


2 pequenos quems
(ele mais ela)
sob estão das folhas
da árvore bela

sorrindo ficam
(todos os domínios
d’onde e quando além)
aqui e agora

(longe desses crescidos
eu&tu, alguém e alguém
jovens mundos conhecidos)
eu&tu, quem e quem

(2 pequenos sous
e sobre eles há
queimando de sonhos
maravilhoso é)

Tradução Daniel Senna Irgang

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Salmo I, poema de Ernesto Cardenal traduzido ao português por José Eduardo Degrazia.




Salmo I, poema de Ernesto Cardenal traduzido ao português por José Eduardo Degrazia.

SALMO 1

Bienaventurado el hombre que no sigue las
consignas del Partido
ni asiste a sus mítines
ni se sienta en la mesa con los gánsteres
ni con los Generales en el Consejo de Guerra
Bienaventurado el hombre que no espía a su hermano
ni delata a su compañero de colegio
Bienaventurado el hombre que no lee los anuncios
comerciales
ni escucha sus radios
ni cree en sus slogans
Será como un árbol plantado junto a una fuente.


ERNESTO CARDENAL, Nicaragua 1925
de “Tiempo de amor – Liefdestijd”
Poesía Moderna Nicaragüense
Editorial POINT

***

SALMO 1

Bem-aventurado o homem que não segue
as prédicas do Partido
nem assiste aos seus meetings
nem vai sentar na mesa com os gângsteres
nem com os Generais no Conselho de Guerra
bem-aventurado o homem que não espia o seu irmão
nem delata o seu companheiro de colégio
Bem-aventurado o homem que não lê a propaganda comercial,
nem escuta as rádios
nem crê nos seus slogans.
Será como árvore plantada junto à uma fonte.



Tradução José Eduardo Degrazia

terça-feira, 12 de junho de 2018

Dois poemas de Joan Brossa traduzidos ao português.



Poema


La boira ha tapat el sol.
Us proposo aquest
poema. Vós mateix
en sou el lliure i necessari
intèrpret.


Poema

A névoa tapou o sol.
Lhes proponho este
poema. Você mesmo
é o livre e necessário
intérprete.



***


El mirall a la pista

No anava a la recerca de cap tema,
sinó que acceptava allò que li arribava,
encara que fos en forma d’un retall
de diari: en aquesta acceptació natural
s’han anat formant els llibres.
Crear un sentit en coses que no en tenien.


O espelho na pista

Não andava atás de nenhum tema,
senão aceitava aquilo que lhe chegava,
ainda que fosse em forma de um recorte
de jornal: nesta aceitação natural
se vão formando os livros.
Criar un sentido em coisas que não tinham.


***
Joan Brossa i Cuervo (Barcelona19 de janeiro de 1919 — Barcelona, 30 de dezembro de 1998) foi um poetadramaturgoartista plástico e designer gráfico, o máximo expoente da vanguardia artística catalã da segunda metade do XX século.

Foi o inspirador e um dos fundadores do grupo e da publicação como Dau al Set (1948), uma das principais manifestações da artecontemporânea. Poeta total sem distinção de géneros, seu trabalho abarcou poesiaprosa poéticapoesia visualcinemateatromúsicacabarédesign gráficomágica e circo. Sua obra é vastíssima: publicou máis de oitenta libros de poesia, quatro libros de prosa, mais de trezentas cinquenta peças de teatro, sobre mil quinentos poemas visuais...
Em seu trabalho literàrio ele optou por escrever só na sua língua natal, a catalã. Hoje tem sido traduzido para máis de quinze linguas. Fonte: Wikipédia.






sexta-feira, 8 de junho de 2018

Dois poemas traduzidos de Lorine Niedecker.


Keen and lovely man moved as in a dance

Keen and lovely man moved as in a dance
to be considerate in lighted, glass-walled
almost outdoor office. Business

wasn’t all he knew. He knew music, art.
Had a heart. “With eyes like yours I should think
the dictaphone” or did he say the flute?

His sensitivity—it stopped you.
And the neighbors said “She’s taking lessons
on the dictaphone” as tho it were a saxophone.

He gave the job to somebody else.

***

Homem apurado e agradável movido como em uma dança

Homem apurado e agradável movido como em uma dança
ser atencioso em murado de vidro, iluminado
escritório quase ao ar livre. O negócio

não era tudo o que ele sabia. Ele conhecia música, arte.
Tinha um coração. “Com olhos como os teus eu deveria pensar
o ditafone ”ou ele disse a flauta?

Sua sensibilidade – ela te parou.
E os vizinhos disseram: "Ela está tendo lições
no ditafone ”como entretanto fosse um saxofone.


Ele deu o trabalho para outra pessoa.



****************************************************

I rose from marsh mud

I rose from marsh mud,
algae, equisetum, willows,
sweet green, noisy
birds and frogs

to see her wed in the rich
rich silence of the church,
the little white slave-girl
in her diamond fronds.

In aisle and arch
the satin secret collects.
United for life to serve
silver. Possessed.

***

Eu me ergui da lama do pântano

Eu me ergui da lama do pântano
algas, cavalinhas, chorões,
verde doce, ruidoso
pássaros e sapos

para vê-la casar no rico
rico silêncio da igreja,
a pequena escrava-moça
nas frondes de diamante dela.

Em nave e arco
o cetim segredo recolhe.
Unida para a vida para servir

prata. Possuída.





Lorine Niedecker. Desenho de Corina Karstenberg. 
Lorine Niedecker (Black Hawk IslandWisconsin, 12 de maio de 1903 — 31 de dezembro de 1970) foi uma poeta dos Estados Unidos, única mulher ligada ao grupo de poetas objetivistas e considerada por alguns autores como a maior poeta do sexo feminino daquele país desde Emily Dickinson; Fonte: Wikipédia.