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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Poema 348 de Emily Dickinson (I died for Beauty) em versão de Adrian'dos Delima

Não temendo traduzir poemas já traduzidos e retraduzidos, 
aí vai um clássico de Dickinson, 
já traduzido por 
Manuel Bandeira, 
entre outros.






***

I died for Beauty — but was scarce
Adjusted in the Tomb
When One who died for Truth, was lain
In an adjoining room —

He questioned softly "Why I failed"?
"For Beauty", I replied —
"And I — for Truth — Themself are One —
We Brethren, are", He said —

And so, as Kinsmen, met a Night —
We talked between the Rooms —
Until the Moss had reached our lips —
And covered up — our names — 

...
 
Fui morto pela Beleza – mas mal estava
Eu me ajeitanto sobre a Tumba –
Quando Outro – Um que foi morto pela Verdade
No Quarto ao lado foram pondo –

“Por que me arruinei?”, pergunta com voz suave
“Foi da Beleza”, Eu disse a Ele –
“Eu – da Verdade – Una com aquela –
Irmãos, nós somos”, Ele fala –

E então, tal Primos, certa Noite em visita –
Nós falamos de um Quarto a Outro –
Até que às nossas lápides o Limo veio –
E recobriu – nossas palavras –


Tradução Adrian'dos Delima 

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sábado, 11 de dezembro de 2010

"Four Trees - upon a solitary Acre ": outro poema de Emily Dickinson em tradução ao português

*** 
 
Este é o poema 742 do legado oculto de Emily Dickinson. 
Oculto, todos sabem, porque sua poesia, praticamente,

não foi publicada enquanto a poeta vivia.   
Depois, uns pretensos "estudiosos" vieram a publicá-los, 
embora mutilados no que tinham de mais original. 
Imaginem então, o que é feito com relação às traduções, 
que muitas vezes partiram destes "falsos originais". 
Alguns estranharão minha tradução desde o seu princípio,
já que troco as "four tres" do original para "três árvores".
Considerai, no entanto, como disse Henri Meschonnic, 
que o ritmo é "o mais inaudível dos sentidos", 
e que ele é essencial na poesia de Emily Dickinson.
Eu jamais retiraria os famosos travessões  
que tanto causam estranhamento a alguns tradutores de Dickinson, 
visto a importância destes para a demarcação 
do ritmo, rivalizando com a métrica, na sua poesia. 
Procuro, até onde fui e até onde a língua portuguesa 
é capaz, reproduzir também as rimas inusitadas
da poeta, que costumava rimar, por exemplo, consoantes.
Antes de tudo música, a máxima de Paul Verlaine, 
parece ser também a divisa da norte-americana.
Por outro lado, três ou quatro pés mantêm uma mesa, 
igualmente, e três ou quatro árvores 
sustentariam este poema, indiferentemente.
Mais uma das da bióloga Emily Dickinson.

 
MINHA TENTAÇÃO:



 Poem: 742


  Four Trees - upon a solitary Acre - 
 Without Design
 Or Order, or Apparent Action -
 Maintain -

 The Sun - upon a Morning meets them -
 The Wind -
 No nearer Neighbor - have they -
 But God -

 The Acre gives them - Place -
 They - Him - Attention of Passer by -
 Of Shadow, or of Squirrel, haply -
 Or Boy -

 What Deed is Theirs unto the General Nature -
 What Plan
 They severally - retard - or further -
 Unknown -

MINHA TENTATIVA:  pOemA 742  


  Sobre um Acre solitário – Três Árvores -
  Sem um Desígnio - 
  Ou Ordem, ou Gesto Aparente – o
  Mantêm.

  O Sol – sobre uma Manhã as vê –
  O Vento –
  Mas vizinho mais perto – é –
  Deus Só –

  Espaço  – o Acre cede –
  Elas – A Ele – Olhar de Quem Passa –
  De Sombra, ou de Esquilo, ao acaso – ou
  Guri.

  Que Dom Deixam à Natureza Toda –
  Qual Plano  
  Dela à parte – afastam – ou adiantam –               
  Não sei  –


Tradução Adrian'dos Delima










A extraordinária aventura cotidiana vivida por Emily Dickinson.
Mais uma árvore e construímos uma mesa. Não aquela da Nora Gomringer.


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

The props assist the house, poema 729 da herança oculta de Emily Dickinson


..........................................                                               729 

O andaime escora a casa
Até que ela está pronta
E então o apoio parte
E ajustada, bem reta,
A casa a si sustenta
Cessando a relembrança
De Broca e Carpinteiro -
Somente em retrospecto
Tem arremate a vida
Idos de prego, plancha, 
Calma - e então o andaime desaba -
Firmando-a como alma -



Tradução Adrian'dos Delima 

........

The props assist the house (729)

The props assist the house
Until the house is built
And then the props withdraw
And adequate, erect,
The house supports itself
Ceasing to recollect
The auger and the carpenter -
Just such a retrospect
Hath the perfected life -
A past of plank and nail,
And slowness – then the scaffolds drop –
Affirming it a soul - 


Emily Dickinson
Eu  (O Tradutor), de carona no poema de Dickinson, o quê dizer? Só que só sei ser minha própria casa. Tema complicado.




domingo, 21 de novembro de 2010

The Lightning is a yellow Fork, poema de Emily Dickinson

 

................................................................


O Raio é um Garfo amarelo
Por obra de dedos bobos
Caindo de mesas no céu
Do Faqueiro assombroso

De mansões nunca bem abertas
E nunca tão bem fechadas
A Parafernália do Obscuro
À cegueira revelada.


....

The Lightning is a yellow Fork
From Tables in the sky
By inadvertent fingers dropt
The awful Cutlery

Of mansions never quite disclosed
And never quite concealed
The Apparatus of the Dark
To ignorance revealed.


emily dickinson
Tradução Adrian'dos Delima

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

The Red – Blaze – is the Morning (Emily Dickinson)


... 

The Red – Blaze – is the Morning
The Violet – is Noon –
The Yellow – Day – is falling –
And after that – is none –

But Miles of Sparks – at Evening –
Reveal the Width that burned –
The Territory Argent – that
Never yet – consumed –


Emily Dickinson






O Vermelho – em fogo – é a Manhã –
O Violeta – a Tarde que vem –
O Amarelo – o Dia – baixando –
E depois disto –  é mais ninguém.

Só milhas de faíscas – na Noite –
Revelam a extensão do Fogo –
O Argênteo Territórrio – que
Todavia jamais – se consome –

                                  Tradução Adrian'dos Delima                                            
Faísqueira
                                         
............................................                                                                    

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Mais Miss Dickinson, The name — of it — is "Autumn". Tradução Adrian'dos Delima.

O nome – dele – “Outono” –
É Sangue – dele – a cor –
Uma Artéria – se unindo à rua –
Uma Veia – sobre o morro –

Gotas Gordas – nas Aléias –
E Oh, o Banho de Esmalte –
Pois Ventos – reviram os Vasos –
E espalham a Chuva Escarlate –

Ele mancha Bonés – do alto –
E acumula poças rosadas –
E então – no tufão de uma Rosa –
Vai – sobre Rodas Rubras.


Tradução Adrian'dos Delima



The name — of it — is "Autumn" —
The hue — of it — is Blood —
An Artery — upon the Hill —
A Vein — along the Road —

Great Globules — in the Alleys —
And Oh, the Shower of Stain —
When Winds — upset the Basin —
And spill the Scarlet Rain —

It sprinkles Bonnets — far below —
It gathers ruddy Pools —
Then — eddies like a Rose — away —
Upon Vermilion Wheels — 




Emily Dickinson traduzida by Adrian'dos Delima














&&&


Uma tal Borboleta é vista
No Pampa Brasileiro –
Meio-dia – não depois – Linda –
Então – o visto foi-se –

Um tal Tempero – o expresso e passa –
À Tua Mão Sujeito –
Como os astros – Vistos na noite –
Na Manhã – Forasteiros –



Emily Dickinson
translation by Adrian'dos Delima (novo nome do tradutor)



                                                    O pampa gaúcho, pra quem nunca viu.
                                                             E o trem que já partiu.

..................................................................................................................

Some such Butterfly be seen 

Some such Butterfly be seen
On Brazilian Pampas –
Just at noon — no later — Sweet –
Then — the License closes –

Some such Spice — express and pass –
Subject to Your Plucking –
As the Stars — You knew last Night –
Foreigners — This Morning –

  Emily Dickinson