Muita arte na rede Ello. Visualize:

Muita arte na rede Ello:

quinta-feira, 15 de junho de 2017

ENTREVISTA COM ADRIAN' DOS DELIMA para a Coluna Diamante, do Jornal Delfos.

ENTREVISTA COM ADRIAN' DOS DELIMA

Adrian'dos Delima é um poeta e tradutor natural da cidade Canoas-Rio Grande do Sulnascido em 1970 e politicamente engajado.

Ateu Poeta: 1:_Você decidiu virar escritor, ou isso foi acontecendo na sua vida? Conte porque você se dedica à Literatura.

Adrian'dos Delima:_ Não me considero primeiramente umescritor e, sim, um poeta. Vejo uma não tão sutil diferença entre estas duas categorias. Vejo a poesia como uma arte à parte, aproximada da música e das artes plásticas, que eram os meus maiores interesses quando comecei a escrever poesia. No entanto, não decidi de uma vez só me tornar um poeta. Comecei a produzir poesia por necessidade de expressãoe, escrevia somente para mim. A poesia era uma espécie de auto-análise. 

No entanto, por uma tendência natural minha, fui aproximando minha poesia de auto-análise e expressão das artes visuais e da música, fui lendo muita poesia e copiando e misturando o estilo de vários poetas. Faltava dar o passo da comunicação, e acho que só atingi uma escrita mais comunicativa definitivamente quando comecei a publicar na internet e em livros

Acho que, aí, deixei de ser um artista individualista e me tornei algo mais próximo do que se pode chamar de um poeta-escritor.Acho o elemento comunicação essencial para qualificar um literato como escritor. 

O escritor busca representar uma voz coletiva. O mero literato espera que o acaso o transforme em uma voz interessante para outros corações e mentes.


Ateu Poeta: 2:_Você acredita que os artistas devem ser engajados? E por quê?

Adrian'dos Delima:_ Não acho que um artista necessite ser, diretamente, engajado. Acho que todo ser humano deve, sim, ser político. Todo ser humano tem demandas com a sociedade. Por isso, mesmo ao se expressar ou auto-analisar, a dimensão política da sociedade acabará se manifestando

O nosso atrito com a sociedade, com as políticas públicas ou individuais. Por exemplo: queremos falar do mar e de sua beleza; isto é arte pela arte. Mas vemos muito lixo boiando no mar. Ao nos referirmos a ele, estaremosfazendo políticafalando das políticas de cada ser humano que opta por sujar a praia e das políticas públicas que optam por não limpar a praia nem trazer consciência ecológica ao eleitorado porque, talvez, existam assuntos mais urgentes para os administradores, legisladores, magistrados, etc. Acredito que o artista é, naturalmente, engajado.


Ateu Poeta: 3:_Desde quando você começou a traduzir poesias de esquerda para o Inglês e por qual razão?

Adrian'dos Delima:_Não considero que eu traduza “poesias de esquerda”. Traduzo poesia engajada para o Inglês e também para o Espanhol, mas que se enquadrem num espectro político dito“progressista”. 

Traduzo textos que manifestem um desejo de justiça social e democracia. Mesmo que um desejo de justiça social e democracia num sentido radical, podendo ser qualificado como um desejo ou ideal de esquerda. 

Primeiramente, eu traduzia poemas de vanguarda, ou de invenção, principalmente de meia dúzia de línguas para o Português. 

Com o acontecimento do fraudulento impeachment da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, em 2016, eu passei a enxergar uma séria ameaça aos avanços sociais dos últimos anos no Brasil. Esta temática passou a absorver em absoluto o meu interesse durante um certo tempo, e passei a buscar poemas que falassem desta ameaça para traduzir ao Inglês e ao Espanhol, a fim de divulgar e denunciar para o mundo os retrocessos que vinham ocorrendo no nosso País.

Ateu Poeta: 4: _Deixe um conselho para novos escritores que sonham em publicar alguma coisa e deixe algum contato para as pessoas que desejam comprar o seu livro.

Adrian'dos Delima:_ Para escritores em geral eu não teria um conselho, mas posso passar alguma experiência para poetas iniciantes

O mercado editorial para poesia quase inexiste no Brasil. Se isto causa algum desalento, por outro lado, nos dá uma liberdade imensa. Não temos editores para “podar” o que escrevemos dizendo “isto vende ou não vende”. 

Podemos dizer o que queremos, mesmo que precisemos pagar pela nossa publicação. Então, nunca se preocupe em agradar um público qualquer, ao menos enquanto você não tem um público específico. Quando você tiver um público mais ou menos definido, pode pensar em se autocensurar. 

Mesmo assim, restará a liberdade ante aos editores. É isso. Se alguém tiver interesse nos meus livros“Consubstantdjetivos comuns” ou “O aqui fora olholhante”, pode me contatar através do e-mailpoetargs@bol.com.br ou do Facebook Adriano Do Carmo Lima ouAdrian’dos Delima.

Ateu Poeta
(Historiador)
Entrevista via Facebook em 14/06/2017