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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Poemas de Juan Manuel Bonet, tradução Adrian'dos Delima.

Poemas de Juan Manuel Bonet traduzidos ao português, Adriandos DeLima. Dos livros "Praga" e "Café des exilés".






  CONTRA OS POETAS FUNCIONÁRIOS

  Disseste, meu velho amigo Vítězslav,,
  melhor que ninguém,
  Praga
  a dos dedos de chuva.
  Mas agora reinas, atrás da placa
  de uma negra limousine russa,
  sobre Praga
  a dos dedos de sangue.

  (Praga, 1994)




  CONTRA LOS POETAS FUNCIONARIOS

  Dijiste, mi viejo amigo Viteslav,
  mejor que nadie,
  Praga
  la de los dedos de lluvia.
  Mas ahora reinas, tras la chapa
  de una negra limousine rusa,
  sobre Praga
  la de los dedos de sangre.




BODEGA CUBISTA

 Quatro garrafas, um jornal vespertino,
 umas sombras chinesas, um frasco de pílulas
 emagrecedoras, um ticket de bonde, o
 recibo da luz, um convite para a ópera,
 o informe de um espião:
 somente falta, pra que esta bodega
 possa adjetivar-se de praguense,
 a sombra de uma cúpula
 e um pouco de espuma de cerveja.


Sumiiiu (ou "brincadeira de esconder com Stalin")








  BODEGÓN CUBISTA

  Quatro botellas, un periódico de la noche,
  unas sombras chinescas, un bote de píldoras
  adelgazantes, un ticket de tranvía, el recibo
  de la luz, un invitación a la ópera,
  el inform de un espía:
  sólo faltan, para que este bodegón
  pueda adejetivarse de praguense,
  la sombra de un cúpula
  y un poco de espuma de cerveza.



(Praga, 1994)

*No livro "Praga", de 1994, Bonet "fala" através de um poeta de vanguarda, talvez tardio (e "imaginário") que teria vivido na Tchocoslováquia após a II Guerra Mundial. Viteslav, em forma de transliteração corrente na língua castelhana, nome citado no primeiro poema dos dois acima traduzidos, claramente refere-se ao poeta checo Vítězslav Nezval, um dos principais líderes das vanguardas naquele país, criador do "poetismo", estética desenvolvida dentro do grupo Devětsil dos anos de 1920, o qual contou com colaboradores como Roman Jakobson e, posteriormente, um dos introdutores da tendência surrealista naquele país, a qual ele utilizou de maneira alternada ou fundida aos postulados estéticos desenvolvidos pelo grupo anterior ao regime stalinista, quando Nezval passou a gozar de altos cargos envolvendo o trabalho com a informação e a cultura, especialmente o cinema, e não havendo mais produzido obra poética de vulto desde então.   

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ESPERA EM WILANOW

Pelo canal entre folhas mortas
desliza o céu de outubro,
tão alto como é o som
de teus passos dentro de mim.
Na outra ribeira, uma carreta
avança. Um pássaro pesca.
Enquanto te espero, retenho
em meus olhos os elementos
que hoje, depois de tanto tempo,
compõem este poema.

(Café des exilés, 1990)

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LANOWLANOW
 ESPERA EN WILANOW     


  Por el canal entre hojas muertas
  se desliza el cielo de octubre,
  tan alto como el sonido
  de tus pasos dentro de mí.
  En la otra ribera, una carreta
  avanza.Un pájaro pesca.
  Mientras te espero, retengo
  en mis ojos los elementos
  que hoy, después de tanto tiempo,
  componen este poema.


 
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  Traduções Adrian'dos Delima

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domingo, 1 de agosto de 2010

Juan Manuel Bonet, crítico de arte espanhol e (muito) poeta! Tradução Adrian'dos Delima.


  
2 Poemas de Juan Manuel Bonet

























MIRA
                                                                                                    

Observa estes tanques claros
do vento, que quando cala
deixa ouvir a um esquilo,
seu suave caminho de ar
por entre os pinhos mais altos.

Café dos exilados 1990







MIRA

Mira los estanques claros
El Blog de Josefa
josefa

salto do esquilo com haikai



del viento, que cuando calla
deja oír a la ardilla,
su suave camino de aire
entre los pinos más altos.





                       ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊                                          

 OUTONO DE 1952

 Nunca me cansarei de olhar os montes de folhas secas
 girando na colina do Castelo. Eu estava contra
-tal era o programa de nossa incomum juventude –
 a poesia romântica, e no entanto esses montes
 de folhas secas comovem meu velho e roto
 coração, como o comove o fluir do rio. As folhas,
 o rio, as nuvens no céu: é só o que na minha cidade
 ainda se expressa livremente.

 Praga, 1994



◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊



OTOÑO DE 1952

Nunca me cansaré de mirar los montones
de hojas secas girando en la colina del Castillo. Estaba en contra -tal era el programa de nuestra rara juventud- de la poesía romántica, y sin embargo esos
montones de hojas secas conmueven mi
viejo roto corazón, como lo conmueve el fluír del río. Las hojas, el río, las nubes en el cielo: lo único que en mi ciudad todavía se expresa libremente.



 Traduções: Adrian'dos Delima