Muita arte na rede Ello. Visualize:
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sexta-feira, 29 de junho de 2012
domingo, 17 de junho de 2012
That dada strain e poemas etnopoéticos: princípio autorizado de futura antologia de Jerome Rothemberg em português.
Nascente de antologia Rothenberg.
1- That dada strain: Aquela melodia, aquela fanfarra, aquele estresse, aquele esforço , aquela linhagem, aquela deformação dada? Poema de Jerome Rothenberg traduzido por Adrian'dos Delima com o título "Aquele som do dadá".
2- I exceed my limits, o coração etnopoético de Jerome Rothenberg traduzido ao português.
1~
2~
| Aliás, e na fonte Rothenberg. |
1- That dada strain: Aquela melodia, aquela fanfarra, aquele estresse, aquele esforço , aquela linhagem, aquela deformação dada? Poema de Jerome Rothenberg traduzido por Adrian'dos Delima com o título "Aquele som do dadá".
2- I exceed my limits, o coração etnopoético de Jerome Rothenberg traduzido ao português.
1~
quinta-feira, 14 de junho de 2012
BREMEN WODU, de Helmut Heißenbüttel. NOVA VERSÃO COM ARQUIVO DE ÁUDIO. TRADUÇÃO ADRIAN'DOS DELIMA.
BREMEN WODU, poema de Helmut Heißenbüttel COM NOVA TRADUÇÃO EM ÁUDIO por Adrian'dos DeLima.
BREMEN
TUONDE
etu
ãhm
etu
ãhm
tuondstava
tuonds
stava
emBremen
eele
eoquê
stavele
stavelequê
stavelejunt
emBremen
stavelejuntemBremen
éstavelejuntemBremen
eela
eoquê
stavaelajunt
tavaelajuntoigual
elastavajuntoigualemBremen
éstavelajuntoigualemBremen
maentãn
maentãnquê
maentãntavamvocêstudojunto
emBremen
maentãntavamvocêstudojuntoemBremen
émaséclar
emBremen
émaséclartavamtudojuntoemBremen
maentãofizeram
fizeramoquê
sevocêsfizeramissoéoquedigo
senósfizemosissoéoquediztu
sevocêstudojuntofizeramissoéoqueeudigo
senóstudojuntofizemosissoéoquemediztu
seevocêstudojuntomBremenfizeramisso
équetunãosabe
quequeeunãosei
quenósfizemos
quevocêsfizeramisso
équenóstudojuntofizemoisso
tudojunto
éentãnfizemosnóstudojuntoentãn
em
Bremen
éfizemostudojuntoemBrementãn
eassimpoucoantesdoNatal
sábado, 9 de junho de 2012
Poemas de Qorpo-Santo e Tyrteu Rocha Vianna: Dois poetas marginais (ou malditos) históricos do sul do Brasil.
| Anos de 1970, quando surge o termo poesia marginal no Brasil, embora em um contexto muito expecífico de ditadura militar versus medo e silêncio. |
Poemas de Qorpo-Santo e Tyrteu Rocha Vianna: Dois poetas marginais (ou malditos) históricos do sul do Brasil.
1 QORPO-SANTO
Embora conhecido por muitos
hoje como o "pai do teatro do absurdo no Brasil", José Joaquim de Campos Leão (Triunfo – Porto Alegre. Rio Grande do Sul. Brasil. *1929 –1983+), conhecido como Qorpo-Santo, pode ser considerado, como poeta, um maldito em sua época e até o presente momento. Certamente, um poeta à margem da história literária.
Conforme a pesquisadora Denise Espírito Santo, que publicou um volume com os poemas inéditos do autor no ano 2000 (!), parte da chamada "Enciclopédia ou seis meses de uma enfermidade" (Ensiqlopédia ou Seis Mezes de Huma Enfermidade, na grafia inventada pelo autor), estes poemas tiveram publicação em 1877 e o único volume sobrevivente do original que os contêm foi encontrado somente em 1994.
Inscrita no Movimento Romântico, a obra de Qorpo-Santo faria parte de uma veia satírica da literatura brasileira no século XIX, adquirindo nesta "novos contornos em razão da subversão e do nonsense".
Observo que, embora beirando ou escancarando uma certa singeleza formal comum aos de sua época em vários momentos - em um sentido no qual observarmos a função poética da linguagem definida por Roman Jakobson - o conteúdo, inteligente e novo, o transformaria em um "novo poeta", conforme se aplique um conceito de 1933 de Fernando Pessoa. Qorpo-Santo traz, de fato, o elemento do "absurdo", também, em sua poesia, podendo ser um precursor do surrealismo. Utilizou-se deste recurso para explorar, por exemplo, questões filosóficas, linguísticas ou semióticas.
Apesar daquela singeleza citada, esta sua simplicidade formal o aproxima, às vezes, do que a poesia concretista viria a fazer muito tempo depois, o uso da repetição de ponta a ponta dentro de um texto dos mesmos vocábulos e/ou estruturas, com pequenas e/ou lentas substituições em um eixo paradigmático, no máximo (como a pedra no meio do caminho de Drummond e o Relógio de Oswald de Andrade) – e não quando o aproxima dos poetas do seu tempo ou anteriores a ele.
Já a maneira como este aplica a língua o tornariam um precursor do ideário "linguístico" de Oswald de Andrade, por exemplo, fazendo uso de um certo vocabulário popular, embora ao lado de um vocabulário "erudito" e, por vezes, arcaico. Inventa palavras por analogia a formas correntes da língua, como o faria, bem mais tarde, Guimarães Rosa, dentro ainda do "desvio linguístico" relacionado ao Oswald. Além disso, podemos observar que o autor se utilizou (e muito) de um uso diferenciado do travessão, lembrando um pouco os travessões de Emily Dickinson, porém, com o objetivo observável de marcar o ritmo do poema. Este uso do travessão – bem aplicado – é, provavelmente um dos únicos elementos estilísticos novos e sofisticados que o poeta nos traz.
Infelizmente, considerando a questão lexical, agora, até o momento, algumas das palavras utilizadas pelo autor não as encontrei com uma definição coerente com os seus textos em quaisquer dicionários da língua portuguesa. É o caso de "balaio" e "ferrinho". O primeiro termo, podendo representar uma personificação (de um balaio, literalmente?), já que este era um procedimento comum na obra do escritor em sua face de poeta. O fato é que Qorpo-Santo citou personagens da vida real através de "apelidos" em seus poemas, o que pode gerar uma certa dúvida, na falta de fontes. Já o segundo termo, provavelmente, significa "faca" ou outra arma branca e pequena e, possivelmente, dinheiro, embora esta significação pareça ter surgido bem depois no vocabulário informal da língua portuguesa.
Apesar da obscuridade de alguns vocábulos, resolvi publicar textos contendo-os, por reconhecer em tais textos alguma peculiar qualidade.
2 TYRTEU ROCHA VIANNA
Já incluído no rol de poetas traduzidos para o espanhol/castelhano deste blog-revista, Tyrteu Rocha Vianna (São Francisco de Assis – Alegrete. Rio Grande do Sul, Brasil. *1998-1963+) se enquadra bem nesta lista de poetas "à-margem", por ter publicado um único livro (1927, Saco de Viagem), com apenas 10 exemplares impressos em sua época, para presentear amigos, embora tenha pago pela publicação de 1000 exemplares na Editora Globo, o mínimo que foi considerado aceitável para publicação na época.
Inscrito nos movimentos futurista e antropófago, o poeta é reconhecido por muitos, como Érico Veríssimo, como um dos mais importantes poetas "gaúchos" de sua época – sendo gaúcho um termo aplicado aos nascidos no estado brasileiro do Rio Grande do Sul, mas que se aplica bem a Tyrteu por mesclar ao seu "futurismo" um regionalismo de sua terra, que incorpora elementos culturais do Uruguai e da Argentina, fronteiriços a ela.
Seus momentos de genialidade (?) se encontram, principalmente, demonstrados através do uso da língua. Seu regionalismo se manifesta, principalmente, no uso desta, na forma como esta se materializa na linguagem do poeta, explorando-o em neologismos, em uma clara adesão à Antropofagia de Oswald de Andrade e Raul Bopp, embora também na maneira como o poeta dirige sua atenção irônica a fatos da política local. No entanto, no aspecto textual, o não uso absoluto de pontuação, encadeando seus "versos" de uma determinada forma, permitiram a Tyrteu uma poesia cinematográfica, bastante semelhante ou idêntico (por coincidência) à melhor poesia de Vladimir Maiakóvski.
Quanto ao fato de inclurmos Tyrteu na lista de poetas "marginais" ou "malditos", juntamente a Qorpo-Santo, é porque são grandes autores, um prolífico e outro "estéril", ignorados ou mesmo desprezados por muito tempo. Espero, futuramente, poder retirar estes dois autores desta mesma lista.
Observação: publico Qorpo-Santo na ortografia atualizada para facilitar a leitura dos textos do autor; Tyrteu Rocha Vianna conforme o texto originalmente publicado, quando me parece que a leitura perde muito com uma "atualização" pela "regra ortográfica", principalmente por questões fonéticas, já que o autor procurava muitas vezes reproduzir pronúncias majoritárias no português que ele conheceu.
Adrian'dos DeLima
domingo, 27 de maio de 2012
Uns trastes-véio novo, poemas curtos e/ou de versos curtos, linhas de linha abandonada pelo autor Adrian'dos DeLima.
À guisa de introdução
"Uns trastes-véio novo" é mais uma mini-antologia de pequenos poemas descartados que lanço para apreciação dos meus leitores. São poemas curtos e/ou de versos curtos, linha abandonada pelo autor, produzidos do final dos anos de 1980 até meados dos anos de 1990, principalmente, época em que se firma e se estabelece no Brasil um modismo haiku impulsionado pelo sucesso estrondoso de Paulo Leminski fazendo sua mescla de concretismo com o haicaísmo humorístico da linha de Millôr Fernandes.
Em alguma medida, a presente reunião é feita de poemas que participaram do "Volkgeist do tempo", buscando muitas vezes a fanopéia curta e a desconstrução da matéria linguística e sua posterior reconstrução através de padrões rigorosamente "construtivistas" nos moldes de uma certa poesia vanguardista do período pós-II Guerra Mundial, a segunda onda da vanguarda em poesia, diríamos, porém aliadas, no mais das vezes, à antiga ironia modernista de Oswald de Andrade e ao subjetivismo e temáticas surgidas com a contracultura.
ADENDO:
Quando da publicação online destes poemas não julguei necessário lembrar que as línguas, em grande medida ao menos, bem como a grafia das palavras, por completo, são meras convenções. Desta forma, naquela ocasião não julguei conveniente avisar de que me utilizava, na década de 1990, de algo chamado (por mim?) de "linguagem-personagem". Queria eu dizer que convertia a linguagem e/ou a língua escrita em um "personagem" de um texto de forma análoga à que um personagem se insere em uma peça de teatro. Mis especificamente como um mímico. Assim, em um poema como "Ondas contra a rocha", escrevo a palavra "ranço" com "s". Embora, visualmente, meu arranjo me parecesse melhor que usar um "ç", neste momento eu tive aquela intenção de usar a linguagem como um personagem, e o "s" em "ranço" como um porrete nas mãos de um ator mudo e gestual que poderia surgir em uma montagem teatral de Jean Genet.
Espero, com estas últimas palavras, ter esclarecido um pouco as dúvidas que algumas pessoas incautas e com uma visão mais usal e utilitária (e menos poética) poderiam ter quanto ao uso que faço da "língua escrita" nestes velhos poemas.
Uns trastes-véio novo, cut-poemas curtos e/ou de versolinhas curtas, linha já abandonada pelo autor
Adrian'dos DeLima.
|
| Narmaduradaspalavras |
domingo, 20 de maio de 2012
Dois poemas de e.e. cummings traduzidos ao português por Adrian'dos Delima.
“Belo” e “Quem sabe se a lua é”, dois poemas de e.e.cummings -
traduções ao português de Adrian'dos Delima,
literalmente ao “português de Adrian'dos Delima”.

Leitura de "Eavocative" para o poema "Who knows if the moon's". Embora seja uma pessoa anônima, temos aí a sua foto e uma leitura excelente.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
sexta-feira, 11 de maio de 2012
sábado, 5 de maio de 2012
Rima&via referência internacional em poesia, segundo Francisco Cenamor.
Editado pelo poeta Francisco Cenamor, Madri.
Madrid, quinta-feira, 19 de abril de 2012
Blog del día: Rim&Via Poesia Nova
http://franciscocenamor.blogspot.com.es/2012/04/blog-del-dia-rima-via-poesia-nova.html
Rima & Via Poesia Nova es otro de esos blogs de referencia en el mundo de la poesía actual. Trabaja en múltiples direcciones, con poetas que han escrito sus textos en diversos idiomas (español, portugués, catalán, italiano...); precisamente la diversidad idiomática es una de las protagonistas porque el autor del blog, el poeta brasileño Adriandos Delima, es, también traductor, o recreador, como dice también, y encontraremos muchos poemas traducidos por él, o por amigos poetas que colaboran en la traducción, de los cuales encontraréis una lista en la columna lateral. También encontraréis otra lista con los autores y autores de los que ha ido publicando poemas, algunos traducidos y otros en su lengua original. el blog está escrito en lengua portuguesa, pero ya veréis que no tenéis ninguna dificultad para entenderlo y navegar por él. Otro elemento que os puede interesar son los enlaces a algunas revistas brasileñas de poesía.
asamblea de palabras
Editado pelo poeta e ator Francisco Cenamor, Madri. "Blog literario con información diaria: catálogo de poetas y poemas, cuentos y relatos, novelas, catálogo de revistas, asociaciones y premios literarios, reseñas, eventos de España y América, televisiones y radios literarias, recursos gratuitos, libros gratis, recursos para leer y escribir, talleres y cursos, editoriales. Enlaces a otras webs con recursos literarios." http://franciscocenamor.blogspot.com.br/2012/04/blog-del-dia-rima-via-poesia-nova.html
Francisco Cenamor, Madrid, Leganés,1965 é poeta, ator de TV, cinema e teatro e dá aulas de teatro em
estabelecimentos públicos e privados de Madri.
Livros publicados:
Amando nubes. Talasa Ediciones, Madrid, 1999.
Ángeles sin cielo. Ediciones Vitruvio, Madrid, 2003.
Asamblea de palabras. Ediciones Vitruvio, Madrid, 2007.
Casa de aire. Ediciones Amargord, Madrid, 2009.
Nada somos. Editorial Luces de gálibo, Málaga, 2011.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Seleção de "Os Poemas de amor de Marichiko", Kenneth Rexroth. Tradução Adrian'dos Delima.
![]() |
| Lua desvenda lugar secreto |
Dos 'Poemas de amor de Marichiko'
Love poems of Marichiko
Kenneth Rexroth
_________________________________________________________________________________
I.
Eu sento em minha escrivaninha.
O que posso te escrever?
Doente com o amor,
Estou ansiada por te ver de
frente.
Eu consigo escrever somente,
“Te amo. Te amo. Te amo.”
O amor corta fundo o meu coração
E rasga minhas vísceras.
As contrações do desejo me
sufocam
E parecem não querer parar.
II.
Se eu penso que poderia ir-me
E chegar aonde estás,
Dez mil milhas poderiam ser como
uma só.
Mas estamos ambos na mesma cidade
E não ouso te ver,
E a milha é mais longa que o
milhão de milhas.
IV.
Queres saber no que eu pensava
Antes de sermos um um par.
A resposta é simples.
Antes de nos reunirmos
Eu não tinha alguma coisa em que
pensar.
VII.
Amar com você
É como beber água do mar.
Mais bebo
Mais fico sedenta,
Até nenhuma água saciar minha
sede,
Somente beber o mar inteiro.
X.
A geada cobre os juncos do
banhado.
Uma névoa leve sopra entre eles,
Estalando as folhas compridas.
Meu coração preenchido pulsa com
beatitude.
XII.
Vem pra mim, como sempre
Quietamente ao leito rosa do
carvão
Na minha lareira
Que incandesce além do biombo na
noite da floresta.
XIII.
Jazendo na grama, campo aberto
para ti
Sob a luz do meio-dia,
Uma névoa escura cobre em parte
Minhas pétalas de rosa.
XV.
Porque eu sonho
Contigo a cada noite,
Meus dias sós
São só de sonho
XVI.
Calcinada pelo amor, a cigarra
Grita em surto. Em silêncio como
o vaga-lume,
Minha carne toda incendeia do
amor.
XXVIII.
A primavera este ano é mais cedo.
Loureiros, pés de pêssego,
ameixa,
Amêndoa, mimosa,
Tudo floresce de súbito. Sob a
Lua, a noite cheira como o teu
corpo.
XXXI.
Algum dia em seis polegadas de
Cinzas vai estar tudo
Que sobrou de nossas mentes
passionais,
De todo o mundo criado
Pelo nosso amor, sua origem
E passagem daqui.
XXXIII.
Eu não consigo esquecer
O anoitecer perfumado dentro da
Minha tenda de pêlos pretos,
Quando nós acordamos para fazer
amor
Depois de uma longa noite de
amor.
XXXIV.
A cada manhã, eu
Acordo só, sonhando que meu
Braço é tua doce polpa
Pressionando os meus lábios.
XXXVIII.
Eu esperei toda a noite.
Pela meia-noite eu pegava fogo.
Ao amanhecer, esperando
Achar um sonho teu,
Eu pousei a cabeça exausta
Nos braços em cruz,
Mas as canções de despertar
Dos pássaros me atormentaram.
XLIII.
Duas flores em uma carta.
A lua mergulha na distância entre
as montanhas.
O orvalho ensopa as folhas dos
bambus.
Eu espero.
Grilos cantam toda a noite no
pinheiro.
À meia-noite soa o sino do
templo.
Gansos selvagens gritam acima das
cabeças.
Isso apenas.
XLIV.
O desalinho do meu cabelo
É feito pelo meu insone
travesseiro sozinho.
Meus olhos ensombrados e as covas
das faces
São tuas
falhas.
XLV.
Quando no teatro Noh
Nós assistimos Shizuka Gozen
Aprisionado pela neve,
Apreciei a trajédia,
Por eu pensar:
Nada parecido com isto
Jamais vai se passar comigo.
LV.
A noite é demasiado longa para a
insônia.
A estrada é demasiado longa para
o que tem os pés feridos.
A vida é demasiado longa para uma
mulher
Transformada em louca pela
paixão.
Por que eu acho sinais enganosos
No retorcido caminho do amor?
LVI.
Esta carne que costumas amar
É frágil, oscila por natureza
Como nau sem norte.
Os fogos da pesca com aves
Tremem na noite.
Meu coração pisca com esta
agonia.
Entendes?
Minha vida se extingue.
Entendes?
Minha vida.
Desvanecendo como as estacas
Que seguram as redes contra a
corrente
No Rio Uji.
LVII.
Noite sem fim. Solidão.
O vento traz uma folha de bordo
Contra a porta de papel
translúcido.
Eu espero, como nos velhos dias,
No nosso lugar secreto, sob a lua
cheia.
Os últimos grilos-de-sininhos
cantam.
Eu achei tuas antigas cartas de
amor,
Repletas de poemas que nunca
tornaste públicos.
E importaria a alguém?
Eles foram somente para mim.
LVIII.
No meio de um sonho
Eu me torno consciente
De que as vozes dos grilos
Brotam debilmente no outono que
envelhece.
Estou de luto por este solitário
Ano que está passando.
E minha própria natureza
Brota débil e esmorece ao longe.
LX.
Gelada dos pés á cabeça, eu
levanto
Com a primeira luz. Do outro lado
da minha janela
Uma folha de bordo vermelha plana
silenciosa para o chão.
Em que eu começo a acreditar?
Indiferença?
Malícia?
Eu detesto a vista do dia que
chega
Desde a manhã em que
Teu olhar inerte passou para mim
o seu gelo
Como a pálida lua no amanhecer.
Kenneth Rexroth
Tradução Adrian'dos Delima
____________________________________________________________________
The
Love Poems of Marichiko
I
I sit at
my desk.
What can
I write to you?
Sick with
love,
I long to
see you in the flesh.
I can
write only,
“I love
you. I love you. I love you.”
Love cuts
through my heart
And tears
my vitals.
Spasms of
longing suffocate me
And will
not stop.
II
If I thought I could get away
And come to you,
Ten thousand miles would be like one mile.
But we are both in the same city
And I dare not see you,
And a mile is longer than a million miles.
And come to you,
Ten thousand miles would be like one mile.
But we are both in the same city
And I dare not see you,
And a mile is longer than a million miles.
IV
You ask me what I thought about
Before we were lovers.
The answer is easy.
Before I met you
I didn't have anything to think about.
Before we were lovers.
The answer is easy.
Before I met you
I didn't have anything to think about.
VII
Making
love with you
Is like
drinking sea water.
The more
I drink
The
thirstier I become,
Until
nothing can slake my thirst
But to
drink the entire sea.
X
Frost
covers the reeds of the marsh.
A fine
haze blows through them,
Crackling
the long leaves.
My full
heart throbs with bliss.
XII
Come to me, as you come
Softly to the rose bed of coals
Of my fireplace
Glowing through the night-bound forest.
XIII
Lying in the meadow, open to you
Under the noon sun
Hazy smoke half hides
My rose petals.
XV
Because I
dream
Of you
every night,
My lonely
days
Are only dreams.
XVI
Scorched with love, the cicada
Cries out. Silent as the firefly,
My flesh is consumed with love.
Cries out. Silent as the firefly,
My flesh is consumed with love.
XXVIII
Spring is
early this year.
Laurel,
plums, peaches,
Almonds,
mimosa,
All bloom
at once. Under the
Moon,
night smells like your body.
XXXIII
I cannot
forget
The
perfumed dusk inside the
Tent of
my black hair
As we
awoke to make love
After a
long night of love.
XXXIV
Every
morning, I
Wake
alone, dreaming my
Arm is
your sweet flesh
Pressing
my lips.
XXXI
Some day in six inches
of
Ashes will be all
That's left of our passionate minds,
Of all the world created
By our love, its origin
And passing away.
XXXIV
Every
morning, I
Wake
alone, dreaming my
Arm is
your sweet flesh
Pressing
my lips.
XXXVIII
I waited
all night.
By
midnight I was on fire.
In the
dawn, hoping
To find a
dream of you,
I laid my
weary head
On my
folded arms,
But the
songs of the waking
Birds
tormented me.
XXLV
The disorder of my hair
Is due to my lonely sleepless pillow.
My hollow eyes and gaunt cheeks
Are your fault.
The disorder of my hair
Is due to my lonely sleepless pillow.
My hollow eyes and gaunt cheeks
Are your fault.
XLIII
Two
flowers in a letter.
The moon sinks into the far off hills.
Dew drenches the bamboo grass.
I wait.
Crickets sing all night in the pine tree.
At midnight the temple bells ring.
Wild geese cry overhead.
Nothing else.
The moon sinks into the far off hills.
Dew drenches the bamboo grass.
I wait.
Crickets sing all night in the pine tree.
At midnight the temple bells ring.
Wild geese cry overhead.
Nothing else.
LV
The night is too long to the sleepless.
The road is too long to the footsore.
Life is too long to a woman
Made foolish by passion.
Why did I find a crooked guide
On the twisted paths of love?
XLV
When in the Noh theater
We watched Shizuka Gozen
Trapped in the snow,
I enjoyed the tragedy,
For I thought,
Nothing like this
Will ever happen to me.
LVII
Night without end. Loneliness.
The wind had driven a maple leaf
Against the shoji. I wait, as in the old days,
In our secret place, under the full moon.
The last bell crickets sing.
I found your old love letters,
Full of poems you never published.
Did it matter? They were only for me.
LVIII
Half in a
dream
I become
aware
That the
voices of the crickets
Grow
faint with the growing Autumn
I mourn
for this lonely
Year that
is passing
And my
own being
Grows
fainter and fades away.
LX
Chilled
through, I wake up
A red
maple leaf floats silently down.
What am I
to believe?
Indifference?
Malice?
I hate
the sight of coming day
Since
that morning when
Your
insensitive gaze turned me to ice
Like the
pale moon in the dawn.
Keneth Rexroth
____________________________________________________
____________________________________________________
Notas:
* O livro
No
livro de 1978, escrito em duas versões, em japonês e em inglês, Rexroth
apresenta
Marichiko assim "Marichiko is the pen name of a contemporary
young woman who lives near
the temple of Marishi-ben in Kyoto." Ela é,
no entanto, um personagem criado pelo poeta
estadunidense, que redigiu
a versão dos poemas em duas línguas, inglês e japonês.
*Poema LVI
"pesca com cormorões" traduzido por "pesca com aves": Corvo-marinho, biguá (Brasil),
calilanga, galheta, induro ou cormorão designação vernácula (do inglês cormorant), é a designação de diversas aves marinhas Pelecaniformes da família Phalacrocoracidae. O grupo tem cerca de 30 espécies, pertencentes ao género Phalacrocorax." "No Japão e China, é tradicional o uso de corvos-marinhos na pesca artesanal, de uma forma análoga à caça com falcões desenvolvida na Europa da Idade Média."(Wikipédia).
O kanji para esta ave ou para o tipo mais comum deste grupo de aves no Japão é 鵜.
O kanji para esta ave ou para o tipo mais comum deste grupo de aves no Japão é 鵜.
*Poema LVII
Shoji, traduzido por "porta de papel translúcido": porta corrediça ou biombo,
normalmente, ou tradicionalmente, feita de papel de arroz, portanto, transparente.
A palavra também significa corrigir ou brilhante.
Bordo é a Acer palmatum (ou Bordo japonês), uma espécia de bordo, ávore nativa ao Japão,
Coréia do Sul e à China. "A coloração das suas folhas sofre alterações bastante intensas ao
longo das estações do ano, variando desde verde vivo, passando por amarelo e chegando a vermelho intenso antes da queda da folha no outono."(Wikipédia)
Coréia do Sul e à China. "A coloração das suas folhas sofre alterações bastante intensas ao
longo das estações do ano, variando desde verde vivo, passando por amarelo e chegando a vermelho intenso antes da queda da folha no outono."(Wikipédia)
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