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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Poemas da Dinastia Tang traduzidos por Ricardo Portugal & Tan Xiao .


10 poemas de despedida  da Dinastia Tang, traduzidos por Ricardo Portugal & Tan Xiaoo
Traduções inéditaso








   Poesia Chinesa – 10 Poemas De Despedida

A Dinastia Tang (618-915) é considerada o auge da cultura clássica chinesa. Foram aproximadamente 300 anos de uma sociedade caracterizada por uma vida urbana intelectual e esteticamente sofisticada. A produção poética do período surpreende pela quantidade e qualidade. A popular antologia Poemas completos da Dinastia Tang, compilada posteriormente, no século XVII (Dinastia Qing), por ordem imperial, contém aproximadamente 50 mil poemas, escritos por 2.200 autores, dentre os quais estão 190 mulheres – uma importante tradição feminina sempre existiu na poesia chinesa.Dentre os nomes mais notáveis desse período de ouro da literatura universal, citam-se sempre Li Bai (Li Po), o grande mestre taoísta da poesia chinesa, e Wang Wei, um dos artistas mais completos de seu tempo – poeta e pintor de renome, mestre budista chan (zen). Da tradição feminina, estão entre os nomes de maior destaque Li Ye e Yu Xuanji. Os textos a seguir, desses autores, são exemplos de um tipo bastante praticado nesse período, em que as longas viagens por enormes distâncias poderiam separar amigos e amantes para sempre: poemas de despedida.As traduções de Li Ye, Li Bai e Wang Wei a seguir estão entre as que integrarão antologia de poesia da Dinastia Tang que estamos preparando. Os poemas de Yu Xuanji já foram publicados em 2011, pela UNESP, na edição bilingue Poesia Completa de Yu Xuanji – traduções, prefácio e notas realizados por nós.Bom proveito, e feliz ano do dragão.
 Ricardo Portugal & Tan Xiao                                                                                                                                



L I  Y E

ADEUS EM UMA NOITE DE LUA

Separar em silêncio, e a lua esplende
sem rumor nem fala. O sentimento
irradia o adeus que falta, e à lua
cintilam nuvens, águas e cidades


明月夜留别

离人无语月无声
明月有光人有情
别后相思人似月
云间水上到层城


WANG WEI

Canção da cidade de Wei

manhã em Wei a chuva cai leve a poeira
no albergue ao pátio o verde novo nos salgueiros

então, Senhor, bebe outro copo deste vinho
a oeste, além do Passo Yang, não tens amigos


渭城曲

渭城朝雨浥轻尘
客舍青青柳色新
      劝君更尽一杯酒
西出阳关无故人



Despedida

Aqui desmonta, bebe deste vinho.
Amigo, aonde leva teu caminho?

Ouço-te a fala em desconcerto ao mundo.
Buscas refúgio às colinas do sul.

Sem mais perguntas; vai, não te detenhas.
Derivam nuvens brancas para sempre.


送别

下马饮君酒
问君何所之
君言不得意
归卧南山陲
但去莫复问
白云无尽时



O Lago Yi

Soprando a flauta até a margem acompanho
o sol poente sigo meu senhor
Sobre o lago instante breve retorno
ao verde morro abraça a nuvem branca



欹湖

吹箫凌极浦
日暮送夫君
湖上一回首
山青卷白云



Desde o alto terraço: à despedida de Li Shiyi

Desde o alto terraço despedir-se
rio planície perdendo-se no escuro
Pássaros voam voltam no crepúsculo
vai viajante apressa-se a partida


临高台送黎拾遗

相送临高台,
川原杳何极。
日暮飞鸟还,
行人去不息。



LI BAI

Despedida a um amigo

montanha verde a norte na muralha
e um claro rio contorna a vila a leste
eis o lugar enfim de separar-se
mil milhas cobre a orfã errante erva
nuvens viajam mudam vagam ânimos
ao sol poente adeus velhos amigos
agitam mãos distantes outro instante
e só os cavalos ouvem-se em nitridos




送友人

青山横北郭
白水绕东城
此地一为别
孤蓬万里征
浮云游子意
落日故人情
挥手自兹去
萧萧班马鸣


Despedindo-se de Meng Haoren que parte da Torre do Grou Amarelo

Deixa o velho amigo o oeste a Torre do Grou
flores pela névoa em março descem a Yangzhou
Entra o azul imenso sombra mínima a vela
somente o Grande Rio indo à borda do céu


送孟浩然之广陵

故人西辞黄鹤楼
烟花三月下扬州
孤帆远影碧空尽                              
      唯见长江天际流


YU XUANJI

Para Guo Xiang

Manhã à noite, beber e cantar
Esta saudade vem com a primavera
À chuva foi-se o mensageiro, a carta
Junto à janela ficou sofrimento
Veem-se entre as contas da cortina os montes
Dores recordam-se ao odor da grama
E àquela festa finda, à despedida,
quanta poeira desabou dos caibros


寄国香

旦夕醉吟身
相思又此春。
雨中寄书使
窗下断肠人。
山卷珠帘看
愁随芳草新。
别来清宴上
几度落梁尘。

Dizendo adeus (I)

Acreditava intermináveis as noites
neste quarto, entre delícias. Mas viajas,
nuvens erram. Deito só e não reajo,
fina-se a lâmpada; em torno, a mariposa.

送别

()

秦楼几夜惬心期
不料仙郎有别离。
睡觉莫言云去处
残灯一盏野蛾飞。



Para Li Zi’an

O vinho não lavaria a dor, nem mil cálices
desatariam os cem nós no peito à partida
É primavera, orquídeas1 recobrem o pátio
Salsos-chorões detêm o caminho dos barcos
Ir ou ficar? Esvai-se uma nuvem sem forma
Pudera amor imitar o rio, seu fluir
Brotam as flores, assim é a estação do encontro
Quem beberia sozinha à sala de jade?


寄子安

醉别千卮不浣愁
离肠百结解无由。
蕙兰销歇归春圃
杨柳东西绊客舟。
聚散已悲云不定
恩情须学水长流。
有花时节知难遇
未肯厌厌醉玉楼。




Ricardo Primo Portugal é escritor e diplomata, graduado em Letras pela UFRGS. Está completando sete anos vivendo e trabalhando na China, primeiro em Pequim, depois em Xangai e, a partir de 2010, em Cantão (Guangzhou). Publicou: DePassagens (Ameop, 2004), Arte do risco (SMCPA, 1992), entre outros. Foi co-organizador da ediçãospan style= bilíngue chinês-português Antologia poética de Mário Quintana (EDIPUCRS, 2007), primeiro livro de poeta brasileiro traduzido para o chinês, com o apoio do Consulado Geral do Brasil em Xangai. Em junho de 2011, saiu, pela UNESP, Poesia completa de Yu Xuanji, edição bilíngüe da obra da poetisa clássica chinesa (Dinastia Tang), com traduções suas, em parceria com a esposa, Tan Xiao, primeira obra completa de poeta daquele país editada no Brasil, traduzida diretamente do original chinês. (ver: http://www.editoraunesp.com.br/catalogo-detalhe.asp?ctl_id=1267). No final de 2011 publica, pela editora 7 Letras, [Zero a Sem], haicais (ver: https://www.7letras.com.br/zero-a-sem.html).

Tan Xiao é graduada em Letras, com ênfase em língua inglesa e ensino das línguas inglesa e chinesa pela Universidade Zhong Nan, Changsha, Hunan, República Popular da China. Estudou português na UnB. Foi intérprete e tradutora português-chinês da Embaixada do Brasil em Pequim e trabalhou no escritório brasiliense da empresa Huawei. Atualmente, faz o mestrado em lingüística na Universidade de Línguas Estrangeiras de Guangdong (“Guang Wai”, 广外).


sábado, 11 de fevereiro de 2012

Poema 5 de "no assoalho duro", de Ronald Augusto. Traducción al castellano Adrian'dos Delima.


  primero
 puede ser que un hombre se llame 
del pino pinar pinares pinedo :


Ronaldaugustomio 
En el tablado duro número 5

5. primero
puede ser que un hombre se llame pinedo
puede ser que este hombre se mueva
entre pinos se
conmueva de verlos
si es que es posible estar atento
a cualquier cosa que se mueva entre tanto el viento
en el moño de pinos calmo
gime como si
se prestara a seda siendo
arrastrada a través de un espino

segundo
que un hombre se inscriba al oír
el llamado: pinedo
no es de erizarse los pelos                                 
ni de pelarse pinos
para que viento no se perciba en parte
alguna y uno al verlo
ave empajada en ramo tocante
no se detenga siga
rumbo al monte

                                                          Traducción Adriandos Delima
  
Poema 5 de “No assoalho duro”

5. primeiro
pode ser que um homem se chame pinheiro
pode ser que este homem se mova
entre pinheiros se
comova de vê-los
se é que é possível estar atento
a qualquer coisa que se mova enquanto o vento
no coque dos pinheiros calmo
geme como se
se prestasse a seda sendo
arrastada através de um espinheiro

segundo

que um homem se inscreva ao ouvir
o chamado: pinheiro
não é de arrepiar os cabelos
nem de pelar pinheiros
para que vento não se perceba em parte
alguma e algum vendo-o
ave empalhada em ramo tateante
não se detenha siga
rumo ao monte










  Ronald Augusto, poeta, músico e crítico de poesia, autor de, entre outros, Homem ao Rubro(1983), Vá de Valha (1992), Confissões Aplicadas (2004) e No assoalho duro (2007). Dá expediente no blog www.poesia-pau.blogspot.com. Mais em Wikipédia, Ronald Augusto.  

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

pOEmA De adriANDOSdelimA logologópodo

 pOEmA De adriANDOSdelimA logologopéde Vala


 pOEmA De adriANDOSdelimA logologopéde valsa das id


POEMA PRA TU CHEGAR A SER O QUE QUISER


 Você pode ser a coisa que quer.
 Você pode ser um coiso de vencer.
 Mas eu não creio nessa crença.
 Isto é um dito. Ditado decorei a frase
 e aprendi mais nada com ela.
 Looser sou um poeta perdido uma
 geração perdida no meio eletrônico
 e + um pouco embaixo do tapete
 da censura. Essa atitude anônima
 de ditaduras que se autoproclamam
 extintas. Trago um extintor
                 para elas.
 Me dêem ajuda para apagá-las do Google mapas.
 Você pode de tudo. Vancê creia nisso.
 Eu pretensioso o tanto não sou do que é preciso
 para dar começo a uma revolução de atitudes.
 Não mais nesta altitude minha nas voltas do mundo visto.
 Como poeta pretendo
 um pouco
 ser somente um daqueles poetas que
 todo mundo ouviu falar
 e tem que dizer que conhece comprar
 um livro e enfeitar a estante.
 Ser o mais vendido e um estudado no ensino
 difícil demais para ser lido um mínimo.
 Você que me dilui em um copo
 com resquícios de tudo
 pode ficar sendo a gripe influenza do dia
 e ficar com um papel na mídiania.
 Vai ser o copo mais sujo da poesia. Creia
 e é lá que você chega alcançado.
 Consegue muy chegado.
 Bebe tu do teu brinde.

















ei
a
s

POEMA PRA TU CHEGAR A SER O QUE QUISER


 Você pode ser a coisa que quer.
 Você pode ser um coiso de vencer.
 Mas eu não creio nessa crença.
 Neste dito. Ditame
decoreba de frase
 qe aprendi mais nada cum ela.
 Looser ego um poeta perdido uma
 geração perdida 1 homem perdido

no meio eletrônico
 e + um pouco embaixo do tapete
 Bebe tu do teu brinde.





  pOEmA De adriANDOSdelimA logologopéde P.S.:  quem sobe sempre vem de baixo, quem desce um dia vai voltar (Nei Lisboa):
                          logodançópode danço nisso mas a mim esperem outro.



Adrian'dos Delima

03 de fevereiro de 2012