Muita arte na rede Ello. Visualize:

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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Mineiros do Chile e Albertí

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Pensando nos mineiros soterrados do Chile, lembrei do primeiro poema que traduzi,
em 1990, minha promeira tradução de poesia. Pode não ser uma grande tradução, nem o melhor poema do mundo.Mas traz o que alguns precisam. Respire um poema de Albertí.


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CONVITE PARA O AR

Te convido, sombra, ao ar.
Sombra de vinte séculos,
para a verdade do ar,
do ar, ar, ar.

Sombra que nunca sais
de tua cova, e ao mundo
não devolveste o silvo
que ao nascer te deu o ar,
o ar, ar, ar.

Sombra sem luz, mineira
nas profundidades
de vinte tumbas, vinte
séculos ocos sem ar,
sem ar, ar, ar!

Sombra, às bocas, sombra,
da verdade do ar,
do ar, ar, ar!

Rafael Albertí
Tradução Adrian'dos Delima


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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Poeminha de Gary Snyder, tradução Adrian'dos Delima;

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Como a poesia chega a mim

Ela chega batendo às cegas à
Noite nos seixos, ela aguarda
Medrosa longe do raio da
Fogueira em meu acampamento
Eu vou pra estar com ela na
Borda da luminescência


Gary Snyder
Tradução Adrian'dos Delima

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Poema do primeiro livro de James Joyce - Chamber Music II, Tradução Adrian'dos Delima.

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Percebam o ritmo que tem isto. Eis um poema que não precisa ter mais nenhuma qualidade. Por outro lado, não é por nada que Pound incluiu Joyce na primeira antologia de poetas imagistas:

Chamber Music II


O acaso passa de ametista
A azul, fundo e mais fundo;
Com luz glauca prenche, a lâmpada,
Árvores lá da rua.

Do velho piano uma ária,
Serena, lenta, alegre;
Tendendo às teclas amarelas,
Pende a cabeça – ela.

Mãos, vãs idéias e olhos graves
Vagam pelo que avistam;
O ocaso passa a azul escuro
Com raios de ametista.

James Joyce
Tradução Adrian'dos Delima




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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

mais d' Henri Meschonnic: 4 poemas por mi


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cabelos tremendo sobre as pedras
eu os vejo confundidos com terra
os gestos ocos
os ventres da vida
dentro de um solo onde se fundam ossos
uma terra arrasada de lendas
os gritos destes olhos
gotejam sobre a relva
submerjo meus braços no viveiro
de mortos


............

eu marcho meu êxodo
onde não há mais cantos
eu não demando mais nada
eu sou a ferida onde as mentiras ardem
é sob minha pele que se move o mundo
o medo treme atolado
avançamos
eu marcho atrás da minha vida
como um escravo
eu não posso mais
com o espetáculo da minha cara

............

não sei
o que ontem
será
o que fará o passado
o desconhecido
não é amanhã
é o que ontem
fará de
amanhã

............


hoje
as folhas mortas
iam mais rápido que eu


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Henri Meschonnic
Traduções Adrian'dos Delimas

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Poemenos de Adrian'dos Delima

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Aí dois dos meus. Mas não acostumem. Este não é um blog narcisista.
Diferentes entre si na forma.
Redundam no tema.

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1.
Aprende tu
que é mais jovem e mais sensato
o exemplo de Shakespeare
que quando morreu taparam a boca
Fecha a tua
se quer viver eternamente

...

2.
no quartescuro é o que se revela
a veneziana sorri do relâmpago
na salaclara revelado o medo
todo o teto no trovão tremendo
a lâmpada tremeluzindo
o próprio tímpano um cristal vibrando
mas dentro de um nada muda
nada se recua
ante o
tremor do mundo



2008




Adrian'dos Delima(s?)
Continuando a crise de identidade.
Assim vou criar é heterônimos.

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Poemenos de Adrian'dos Delima 2

DEVORACIDADES

1.MERCADO PÚBLICO EM PORTO ALEGRE

A (de)voracidade do mercado
Onde as cidades famintas de fome
Observam as cenouras e beterrabas
E se extasiam com a beleza das cores
Devora as pessoas antigas
Com sua arquitetura já clássica

17/02/2006

2. TRAFICANTES NA FAVELA DA ROCINHA

Os seguranças com rádio na mão
Defendem com arrogância
Do alto dos seu banquinhos
A freguesia de todos os shoppings

02/2006

3. EXPLICAÇÃO AO FUNCIONÁRIO DEMITIDO

Veja bem o senhor não seja
Tão honesto
Não é importante o atendimento
O importante é crescer o montante
Do monte que já é um monte
Do montão que o nosso banco come
Desmoronando muita cidade
Barranco abaixo

02/2006

4. BALA DE POLÍCIA

Meu canto é um adolescente morto

A cada verso

1995

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Poema de e. e. cummings por Adrian'dos Delima.

não deixem de ler o original. mas me considero um bom plagiador.

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e
ssa a mais fei
a

s
ub
sub

urban
a linha de horizonte no mundo entre c
asebres

ond
e e
m

e
rge um manchadoovo do sol de inverno se pond
o


e.e. cummings

Trad. Adrian'dos Delima

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e
cco the uglies
t

s
ub
sub

urba
n  skyline on earth between whose d
owdy

hou
se
s

l
ooms aneggyellow smear of wintry sunse
t

Mais Miss Dickinson, The name — of it — is "Autumn". Tradução Adrian'dos Delima.

O nome – dele – “Outono” –
É Sangue – dele – a cor –
Uma Artéria – se unindo à rua –
Uma Veia – sobre o morro –

Gotas Gordas – nas Aléias –
E Oh, o Banho de Esmalte –
Pois Ventos – reviram os Vasos –
E espalham a Chuva Escarlate –

Ele mancha Bonés – do alto –
E acumula poças rosadas –
E então – no tufão de uma Rosa –
Vai – sobre Rodas Rubras.


Tradução Adrian'dos Delima



The name — of it — is "Autumn" —
The hue — of it — is Blood —
An Artery — upon the Hill —
A Vein — along the Road —

Great Globules — in the Alleys —
And Oh, the Shower of Stain —
When Winds — upset the Basin —
And spill the Scarlet Rain —

It sprinkles Bonnets — far below —
It gathers ruddy Pools —
Then — eddies like a Rose — away —
Upon Vermilion Wheels — 




Emily Dickinson traduzida by Adrian'dos Delima














&&&


Uma tal Borboleta é vista
No Pampa Brasileiro –
Meio-dia – não depois – Linda –
Então – o visto foi-se –

Um tal Tempero – o expresso e passa –
À Tua Mão Sujeito –
Como os astros – Vistos na noite –
Na Manhã – Forasteiros –



Emily Dickinson
translation by Adrian'dos Delima (novo nome do tradutor)



                                                    O pampa gaúcho, pra quem nunca viu.
                                                             E o trem que já partiu.

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Some such Butterfly be seen 

Some such Butterfly be seen
On Brazilian Pampas –
Just at noon — no later — Sweet –
Then — the License closes –

Some such Spice — express and pass –
Subject to Your Plucking –
As the Stars — You knew last Night –
Foreigners — This Morning –

  Emily Dickinson 


domingo, 1 de agosto de 2010

Juan Manuel Bonet, crítico de arte espanhol e (muito) poeta! Tradução Adrian'dos Delima.


  
2 Poemas de Juan Manuel Bonet

























MIRA
                                                                                                    

Observa estes tanques claros
do vento, que quando cala
deixa ouvir a um esquilo,
seu suave caminho de ar
por entre os pinhos mais altos.

Café dos exilados 1990







MIRA

Mira los estanques claros
El Blog de Josefa
josefa

salto do esquilo com haikai



del viento, que cuando calla
deja oír a la ardilla,
su suave camino de aire
entre los pinos más altos.





                       ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊                                          

 OUTONO DE 1952

 Nunca me cansarei de olhar os montes de folhas secas
 girando na colina do Castelo. Eu estava contra
-tal era o programa de nossa incomum juventude –
 a poesia romântica, e no entanto esses montes
 de folhas secas comovem meu velho e roto
 coração, como o comove o fluir do rio. As folhas,
 o rio, as nuvens no céu: é só o que na minha cidade
 ainda se expressa livremente.

 Praga, 1994



◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊



OTOÑO DE 1952

Nunca me cansaré de mirar los montones
de hojas secas girando en la colina del Castillo. Estaba en contra -tal era el programa de nuestra rara juventud- de la poesía romántica, y sin embargo esos
montones de hojas secas conmueven mi
viejo roto corazón, como lo conmueve el fluír del río. Las hojas, el río, las nubes en el cielo: lo único que en mi ciudad todavía se expresa libremente.



 Traduções: Adrian'dos Delima

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Bairro Livre, um poema de Jacques Prévert

Leiam este poema, cheio de sentimento de alegria e liberdade,
vindo com o fim da II Guerra Mundial e com a esperança de inaugurar um mundo democrático, onde os militarismos já não valem nada. É o mundo livre nascendo no "Bairro Livre".

Alemão, RJ












Quartier libre


J'ai mis mon képi dans la cage
et je suis sorti avec l'oiseau sur la tête
Alors
on ne salue plus
a demandé le commandant
Non
on ne salue plus
a répondu l'oiseau
Ah bon
excusez moi je croyais qu'on saluait
a dit le commandant
Vous êtes tout excusé tout le monde peut se tromper
a dit l'oiseau.



Bairro Livre



Pus o boné na gaiola
saí com o pássaro na cabeça
E então
já não se faz a continência
perguntou o comandante
Não
já não se faz a continência
respondeu o pássaro
Ah bem
desculpe julguei que se fazia
disse o comandante
Não há de quê toda a gente pode enganar-se
disse o pássaro.



"Poesia do Século XX", antologia, tradução, prefácio e notas de Jorge de Sena, Porto: Edições ASA, 3ª edição, 2003, p. 324.

Continência e boné sem comandante.
Pássaro sem boné nem continência.





BAIRRO LIVRE

Prendi meu quepe na gaiola
e estou na rua com a ave na cabeça
Então
já não há a continência
a cobrança do comandante
Não
já não há a continência
a reposta da ave
Ah bom
desculpa achei que a continência havia  
lhe diz o comandante
Não tem de quê todas pessoas podem cometer erros
lhe diz a ave.

Tradução Adrian'dos Delima


terça-feira, 15 de junho de 2010

Elizabeth Bishop. Uma cadela cor-de-rosa no carnaval do Rio.

CADELA ROSADA

[Rio de Janeiro]

Sol forte, céu azul. O Rio sua.
Praia apinhada de barracas. Nua,
passo apressado, você cruza a rua.

Nunca vi um cão tão nu, tão sem nada,
sem pêlo, pele tão avermelhada...
Quem a vê até troca de calçada.

Têm medo da raiva. Mas isso não
é hidrofobia — é sarna. O olhar é são
e esperto. E os seus filhotes, onde estão?

(Tetas cheias de leite.) Em que favela
você os escondeu, em que ruela,
pra viver sua vida de cadela?

Você não sabia? Deu no jornal:
pra resolver o problema social,
estão jogando os mendigos num canal.

E não são só pedintes os lançados
no rio da Guarda: idiotas, aleijados,
vagabundos, alcoólatras, drogados.

Se fazem isso com gente, os estúpidos,
com pernetas ou bípedes, sem escrúpulos,
o que não fariam com um quadrúpede?

A piada mais contada hoje em dia
é que os mendigos, em vez de comida,
andam comprando bóias salva-vidas.

Você, no estado em que está, com esses peitos,
jogada no rio, afundava feito
parafuso. Falando sério, o jeito

mesmo é vestir alguma fantasia.
Não dá pra você ficar por aí à
toa com essa cara. Você devia

pôr uma máscara qualquer. Que tal?
Até a quarta-feira, é Carnaval!
Dance um samba! Abaixo o baixo-astral!

Dizem que o Carnaval está acabando,
culpa do rádio, dos americanos...
Dizem a mesma bobagem todo ano.

O Carnaval está cada vez melhor!
Agora, um cão pelado é mesmo um horror...
Vamos, se fantasie! A-lá-lá-ô...!

1979

Tradução de Paulo H. Britto

A americana se pergunta: se fazem isso com os mendigos, o que não farão comigo?

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A CONEY ISLAND OF THE MIND 27, LAWRENCE FERLINGHETTI em português


 A Coney Island of the Mind (27), Lawrence Ferlinghetti                             







           





                                              Peacocks walked

                                          under the night trees

                                             in the lost moon
                                                                        light


                                     when I went out
                                                           looking for love

                                                that night

                             A ring dove cooed in a cove

                        A cloche tolled twice

                                                                once for the birth

                                            and once for the death

                                                                    of love
                                                                               that night
                                                                                                                                      
 by LAWRENCE FERLINGHETTI                                                               

                                                                                                                                                           



UM PARQUE DE DIVERSÕES DA CABEÇA 27




                                              Pavões badalavam

                                           sob as árvores da noite

                                              em vaguilúnio
                                                                  sem rumo

                                      assim que foi o olho

                                                            cuidando àquela noite

                                                 do amor

                              Uma pomba rodante chamou duas vezes

                         um sino no céu enseado

                                                                 Uma ao nascer

                                             outra na morte

                                                                     do amor
                                                                                naquela noite



by LAWRENCE FERLINGHETTI
Tradução exageradamente(?) (re)criativa: Adrian'dos Delima






"Don't Give Me"
Lawrence Ferlinghetti


Ferlinghetti é música. Como Ferlinghetti pinta com suas palavras.

Ferlinghetti, 1965


"Unfinished Flag of the United States"
Lawrence Ferlinghetti