Muita arte na rede Ello. Visualize:

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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

El primitivismo de "Poemas rupestres", de Manoel de Barros, en poema traducido al castellano.






Poema 4 da parte II do livro "Poemas rupestres", Vento



 




4                                                                                            
VENTO 
 

Se a gente jogar uma pedra no vento 
Ele nem olha para trás. 
Se a gente atacar o vento com enxada 
Ele nem sai sangue da bunda. 
Ele não dói nada. 
Vento não tem tripa. 
Se a gente enfiar uma faca no vento 
Ele nem faz ui. 
A gente estudou no Colégio que vento 
é o ar em movimento. 
E que o ar em movimento é vento. 
Eu quis uma vez implantar uma costela 
no vento. 
A costela não parava nem. 
Hoje eu tasquei uma pedra no organismo 
do vento. 
Depois me ensinaram que vento não tem
organismo. 
Fiquei estudado. 





        
                  VIENTO 

Si uno tira uma piedra en el viento
Él ni mira hacia atrás.
Si uno ataca el viento con azada
Él ni sale sangre del culo.
Él no duele nada.
Viento no tiene tripas.
Si uno mete el cuchillo en el viento
Él ni hace uy.
Nosotros estudiamos en el Colegio que el viento
es el aire em movimiento.
Y que el aire em movimiento es el viento.
Cierta vez yo quise implantar una costilla
en el viento.
La costilla no se afincaba ni siquiera.
Hoy le disparé una piedra en el organismo
del viento.
Después me enseñaron que viento no tiene
organismo.
Resulté un estudiado.                                              Traducción Adriandos Delima





NOTA: 

*La Real Academia Española dice que "estudiada" es una persona "afectada, amanerada". Sin embargo, he encontrado en Nicarágua, Argentina, Honduras y otros lugares el uso semejante al del poeta, que quiso decir con su "Fiquei estudado", precisamente "resulté un hombre con instrucción", significado acepto en el portugués, y este es el uso más popular, mientras "afetado, dissimulado, artificial" puede ser considerado un galicismo. Este último uso no se refiere a una persona, sino a "modos", "atitudes" o "gestos".  


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Poema de Adrian'dos Delima sobre o negócio da poesia










O NOSSO NEGÓCIO DE HOJE


o negócio do haikai já foi
O negó$io agora é loongopéia modernosa de meia longura 
a gente tem mais que assuntar
a gente viu de tudo
a povo pouco que ler deixam de tempo
a gente já dançou a música da melopéia posta em dúvida
não resta dúvida quanto aos negócios

são negócios

isso é negócio

e este não é um negócio de dar dinheiro

        dance conforme

o tal deste negócio é poesia se chama

dê uma forma

quando você entra no mundo dos negócios é melhor ficar esperto
se não é um negócio que dá dinheiro não é um negócio que dá em árvore

então pode ser o nosso o nosso
negócio é escasso

o nosso aparece às vezes no sono
também quando você acorda
se você meio dorme
somos cordiais

negócios são fazer acordos

business são-nos feitos contra a nossa vontade
nós não somos desses
você no nosso negócio encontra um cliente ou outro e muito flanando por acaso
eles vêm porque querendo sendo-se independentes do mundo negócio
não porque desejam o que neles desejamos 
os que já eram nossos

Adrian'dos Delima


***


texto de apresentação do blogue de Jerome Rothenberg::
In this age of internet and blog the possibility opens of a free circulation of works (poems and poetics in the present instance) outside of any commercial or academic nexus. I will therefore be posting work of my own, both new & old, that may otherwise be difficult or impossible to access, and I will also, from time to time, post work by others who have been close to me, in the manner of a freewheeling on-line anthology or magazine. I take this to be in the tradition of autonomous publication by poets, going back to Blake and Whitman and Dickinson, among numerous others.*

+Isto não é um negócio, não negociamos. (Adrian'dos)


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Borrador de Paulo Leminski y otros poemas, traducidos al castellano por desemejantes recreadores.



 
        1 buen poema
 lleva años
       cinco jugando a la pelota,
 cinco más estudiando sánscrito,
       seis cargando piedras,
 nueve saliendo con la vecina,
       siete recibiendo puñetazos,
 cuatro andando solito,
       trés mudándose de ciudad,
 diez cambiando de tema,
       una eternidad, yo y vos,
 caminando cerca



Traducción Adrian'dos Delima 




Contranarciso

en mí
veo al otro
y a otro
y a otro
en fin decenas
trenes que pasan
vagones llenos de gente
centenas

el otro
que hay en mí
eres tú

y tú

así como
estoy en ti
estoy en él
en nosotros
y sólo cuando
estamos en nosotros
estamos en paz
aunque estemos a solas



°°°




aún
a la edad
de ya ser
yo mismo

aún
confundo
felicidad
con este nerviosismo



°°°


un día
uno iba a ser homero
la obra nada menos que una ilíada

después
viendo el paquete
alcanzaba para ser un rimbaud
un ungaretti un fernando pessoa cualquiera
un lorca un éluard un ginsberg

por fin
terminamos siendo el pequeño poeta de provincia
que siempre fuimos
por detrás de tantas máscaras
que el tiempo trató como flores



°°°




un poema
que no se entiende
es digno de nota

la dignidad suprema
de un navío
perdiendo la ruta 



°°° 



Ópera fantasma


Nada tengo.
Nada me pueden quitar.
Soy el ex-extraño,
el que vino sin ser llamado
y, gato, se fue
sin hacer ningún ruido.   



°°°




El náufrago náugrafo




    la letra A se

hunde en el A

    tlántico

y pacífico con

    templo la lucha

entre la rápida letra

    y el océano

lento



    así

hondo fundo 

    y me hundo

de todos los náufragos

    náugrafo

el náufrago

    más profundo


Traducciones Rodolfo Mata


***************************** 
Poemas publicados en tsé≈tsé 6, Buenos Aires, 1999:



leche, lectura,
letras, literatura,
todo lo que pasa,
todo lo que dura
todo lo que duramente pasa
todo lo que pasajeramente dura
todo, todo, todo,
no pasa de caricatura
de vos, mi amargura
de ver que vivir no tiene cura


&&&


HEXAGRAMA 65


                  Ningún dolor por el daño.
Todo daño es bendito.
                  Del año más maligno,
nace el día más bonito.

1 día,
   1 mes, 1
      año. 


&&& 


DATILOGRAFANDO ESTE TEXTO


leer se lee en los dedos
no en los ojos
que los ojos son más dados
a secretos 

Traducciones Reynaldo Jiménez 

*************************

objeto
de mi más desesperado deseo
no sea aquello
por quien ardo y no veo

sea la estrella que me besa
oriente que me rija
azul amor belleza

haga cualquier cosa
pero por el amor de dios
o de nosotros dos
sea 

&&&


DANZA DE LA LLUVIA


señorita lluvia
me concede la honra
de esta contradanza
y vamos a salir
por esos campos
al son de esta lluvia
que cae sobre el teclado 

&&&


EL MINIMO DEL MAXIMO


Tiempo lento,
espacio rápido,
cuanto más pienso,
menos capto.
Si no entiendo eso
que pasa en lo íntimo,
¿importa mucho?
Rapto el ritmo.
Espaciotiempo ávido,
lento espaciodentro,
cuando me aproximo,
simplemente me deshago,
apenas el mínimo
en materia de máximo. 


Traducciones Carlos Ricardo

**************************************** 

El viejo Leon y Natália en Coyoacán



Esta vez no va a haber nieve como en petrogrado en aquel día
El cielo va a estar limpio el sol brillando
tu durmiendo y yo soñando

ni casacas ni cosacos como en petrogrado en aquel día
apenas tú desnuda y yo como nací
yo durmiendo y tú soñando

no va a haber más multitudes gritando como en petrogrado en aquel día
silencio los dos murmullos azules
yo y tu durmiendo y soñando

nunca más va a haber un día como en petrogrado en aquel día
nada como un día yendo atrás de otro viniendo
tu y yo soñando y durmiendo 





Versión de Vitor Ramil y Pedro Aznar de poema de Leminski con música de Vitor Ramil  


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Outro poema de Harry Crosby.

Oração

Sopro do vento vindo em sopro ao olvido    as lentas
teias do que foi extinto    ó mente deixa ao sol que entre



terça-feira, 2 de agosto de 2011

Poema de Adrian'dos Delima, sobre o Google e ele mesmo


MOTORES DE BUSCA FUNCIONAM NÓS

O amigo Google amigo não diz
Tudo precisa de estudo
O que muitos dizem o amor verdadeiro o morno
O que muitos chamam puro jogo de i e desilusão
Ou paixão ou razão
Fés
Quaisquer
O que muitos sabem
O que muitas coisas que o Google não
O amigo Goo o Google chapa não aju
Da não ajuda quem não a si se a
Se eu me ajudo eu uso o amigo Goo e eu
A mim meu Goo aqui da cuca-google
  Então ó meu olha aqui ô chapa com menos des
Eu prezo e te prezo
O facilismo que eu uso
Porque eu encontro e uso mesmo que tu ache algumas
Soluções que jamais me disse
Outro goo que não o da cu
Da cuca e outros tiram idéias do cu novinhas & renovadas
E tiram um google do cu
E tu
Não terá o mesmo google que eu
Não
Não
E não
Não o da cuca
Tão avessos os goos
O de me and o de you
Tão amigos quanto amigos sou eu e o Goo
Goo and me
Amizade é igual sem um desigualzinho se é lido do avesso
Dou o que ainda não existiu
Um pouco goo de mim
Adriandosdelima
Adrianodosdelim 



     Um poema descolado não seja só de colagens sem cola. Não dedicado a Angélica Freitas, cujas googlagens eu desconhecia antes de descolar e colar este poema.

sábado, 30 de julho de 2011

Poema de Jackson Mac Low em português, tradução de Adrian'dos Delima.


Visual poems by Jackson Mac Low

    
 Call Me Ishmael  

               
Circulation. And long long
Mind every
Interest Some how mind and every long

Coffin about little little
Money especially
I shore, having money about especially little

Cato a little little
Me extreme
I sail have me an extreme little

Cherish and left, left,
Myself extremest
It see hypos myself and extremest left,

City a land. Land.
Mouth; east,
Is spleen, hand mouth; an east, land.


***


      Chamai-me Esmael

             “Mas tão certo quanto o erro de ser barco a motor e insistir em usar os remos...” (Renato Russo)

Circulação. E por muito muito
Mentar em cada
Empenho Algum como mentar e em cada por muito

Caixão cerca de um pouco pouco
Moeda  especialmente 
Eu sustento, ter moeda cerca de especialmente pouco

Catão meio pouco pouco
Me extremo
Eu navego ter-me um extremo pouco

Cuidado e ido, ido,
Meu eu mais extremado
Ele olha hipos de meu eu e do mais extremado ido,

Cidade a terra. Aterra.
Mão; leste,
É spleen, boca de mão; um leste, a terra.

                            Tradução Adrian'dos Delima 

*** 


NOtas:

O léxico utilizado no poema, sendo fruto do acaso e sem uma coesão exata, e não possuindo sinônimos perfeitos em português, permitiu que os vocábulos escolhidos para a tradução se aproximassem de forma relativamente livre da proposta inicial do autor, privilegiando principalmente a forma e o método de composição, com uma preocupação de abarcar ao máximo todos os sentidos possíveis do texto de partida da tradução, mas privilegiando, inevitavelmente, alguns destes.  

Ismael – filho de Abraão com uma escrava, preterido na herança do patriarca bíblico, por exigência de sua esposa Sara e determinação de Deus.Le-se em Gênesis 21.9-10 "E viu Sara que o filho de Agar, a egípcia, o qual tinha dado a Abraão, zombava. E disse a Abraão: Ponha fora esta serva e o seu filho; porque o filho desta serva não herdará com Isaque, meu filho." Após isso Abraão enviou Ismael com sua mãe para o vale árido de Becá, ao sul. Conforme a tradição muçulmana, Ismael teria dado origem a nação árabe, e Isaac origem a nação judaica. No século VII, beduínos liderados por Maomé recuperaram a história de Ismael e, baseados nela, fundaram a religião islâmica. Portanto, no Islã e no Alcorão, Ismael é considerado profeta e ancestral de todos os árabes. Esmael é uma variante popular do nome Ismael, utilizada na tradução para manter a sequência de 3 iniciais dos versos que se organizam de maneira semelhante ao acróstico. 

Coffin - caixão, literalmente, em inglês pode significar um barco ou navio sem serventia, como "banheira" em português. 


Catão – Pode ser um político visto como “radical” e incorruptível na antiga Roma, opositor de César, ou seu avô, Marco Pórcio Catão, “considerado o primeiro escritor em prosa latina de importância; foi o primeiro autor de uma íntegra história da Itália em latim. Alguns historiadores argumentaram que, de não ser pelo impacto que causaram os seus escritos, o grego teria substituído o latim como língua literária em Roma (...)  Como censor, Catão distinguiu-se pela sua conservadora defesa das tradições romanas em contraposição com o luxo da corrente helenística procedente de Oriente(Wikipédia)”.

hypo (s)– usado para quando alguém trabalha por muito tempo e aceleradamente, cometendo erros sob efeito de cafeína, especialmente “typos”, erros ortográficos, de digitação ou tipográficos.  Parece surgir da idéia de auto-injetar-se café sob a pele (hipo).

 
spleen – embora possa significar “baço”, “acesso de raiva”, no inglês, preferimos manter a referência literária do termo, de origem francesa: “Em francês, o termo spleen  representa o estado de tristeza pensativa ou melancolia. (...) O termo foi popularizado pelo poeta Charles-Pierre Baudelaire (1821-1867), mas já havia sido utilizado antes, particularmente durante a literatura do romântico, no começo do século XIX. (Wikipédia)”.







Jackson Mac Low (1922 – 2004) foi um poeta dos EUA, performer, compositor  e dramaturgo, ligado ao grupo Fluxus.  Sua música e sua poesia tem relação direta com a estética do acaso de John Cage . Maiores informações sobre o poeta: http://en.wikipedia.org/wiki/Jackson_Mac_Low 


Foto de 1943
 

sábado, 23 de julho de 2011

Gertrude Stein, poema de Mina Loy traduzido por Adrian'dos Delima.


 
                                                Marie Curie

Gertrude Stein

  Curie
  of the laboratory
  of vocabulary
  she crushed
  the tonnage
  of consciousness
  congealed
to phrases
  to extract
  a radium of the word

  ...

Curie
do laboratório
de vocabulário
ela moeu
a tonelagem
de consciência
sólida de frases
pra extrair
um rádio da palavra 

*** 

Notas para quem não conhece, como eu, a química e história da química: 
*Curie refere-se a Marie Curie, cientista polonesa pioneira no estudo da radioatividade e pela descoberta dos elementos químicos rádio e polônio. 
*No início dos estudos sobre radiação, isótopos de vários elementos obtidos através da deterioração do elemento químico Rádio eram conhecidos como "rádios" (rádio A, B, C, e assim por diante).
*Uma unidade curie de radioatividade, atualmente em desuso, se baseia na radioatividade do rádio-226. 

 Mina

domingo, 17 de julho de 2011

Poema de "TRANSIT OF VENUS", de Harry Crosby


Poem                        



The moon, as yon dead,
The rolling,
The whole kin
The whole wide
There is not in the wide
This great roundabout
This gross, hard-seeming,
This my,
This little
This pendent
This unintelligible,
Thou are the whole wide,
Three corners of the
Tired of wandering orbit. 
 




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Poema

A lua, como além morto,
A revolução,
A família toda
A amplitude toda
A amplitute não tem
Aquela rotatória vasta 
Aquele todo, parecedor extremo,
Aquele meu,
Aquele mínimo
Aquele suspenso
Aquele ininteligível,
Amplitude toda tu és,
As três esquinas do
Afadigado de órbita nômade..  



Tradução Adriandosdelima

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Poema LVI de "Love poems from Marichiko", de Kenneth Rexroth. Tradução Adrian'dos Delima


   
   LVI                                                                                               

   This flesh you have loved
   Is fragile, unstable by nature
   As a boat adrift.
   The fires of the cormorant fishers
   Flare in the night.
   My heart flares with this agony.
   Do you understand?

   My life is going out.
   Do you understand?
   My life.
   Vanishing like the stakes
   That hold the nets against the current
   In Uji River.





                                        

      LVI


   Esta carne que já amaste 
   É frágil, oscila por natureza 
   Como nau sem norte. 
   Os fogos da pesca com aves 
   Tremem na noite. 
   Meu coração pisca com esta agonia. 
   Entendes? 

   Minha vida se extingue. 
   Entendes? 
   Minha vida. 
   Desvanecendo como as estacas 
   Que seguram as redes contra a corrente 
   No Rio Uji.




                                                       Tradução Adrian'dos Delima





cormorant fishers: ainda comuns no extremo oriente, são pescadores tradicionais que utilizam aves (cormorões, semelhantes ao biguá) amarradas a uma vara para a captura do peixe.


   



quinta-feira, 14 de julho de 2011

Mais um poema de "CHARIOT OF THE SUN", Harry Crosby, publicado em 1927, este, menos arrojado formalmente



 
 PROPORCIONAIS                                                                                             

  Nunca oro entre os bancos cheios                                  
  Da igreja de Jesus
  Nem a aclamá-lo o rei judeu
  Me ajoelho ante a cruz

  Nunca escuto o pastor
  Falar sobre a ofensa
  Nem a Santo ou Sagrado Espírito
  Eu peço alguma benção

  Porém de um par de olhos
  Das cores de uma saia
  Ou por tomar um gim de prata
  Minha alma um canto ensaia

  E o sol pela parede
  Me mostra de passagem
  A graça que a Deus vou tecendo
  E a toda a Eternidade
 Tradução Adriandos Delima

 
 PROPORTIONATE                                                                               

 I never go to church to pray
 Among the crowded pews
 Nor kneel before a crucifix
 To hail the king of Jews

 I never say a prayer
 To Saint or Holy Ghost
 Nor listen to the preacher's word
 That talks of sin the most

 But in a pair of eyes
 Or drinking silver gin
 Or in the colors of a dress
 My soul begins to sing

 And sunbeams on the wall
 Reveal sometimes for me
 The beauty that I weave for God
 And for Eternity.