Muita arte na rede Ello. Visualize:

Muita arte na rede Ello:

domingo, 21 de novembro de 2010

The Lightning is a yellow Fork, poema de Emily Dickinson

 

................................................................


O Raio é um Garfo amarelo
Por obra de dedos bobos
Caindo de mesas no céu
Do Faqueiro assombroso

De mansões nunca bem abertas
E nunca tão bem fechadas
A Parafernália do Obscuro
À cegueira revelada.


....

The Lightning is a yellow Fork
From Tables in the sky
By inadvertent fingers dropt
The awful Cutlery

Of mansions never quite disclosed
And never quite concealed
The Apparatus of the Dark
To ignorance revealed.


emily dickinson
Tradução Adrian'dos Delima

sábado, 20 de novembro de 2010

Las cuatro gares y Secretario de los amantes, poemas de Oswald de Andrade, poeta de Brasil

Poemas del poeta de la vanguardia brasileña, entre el Cubismo y el Ready-made de Marcel Duchamp, el Minimalismo y el Primitivismo, traducidos "para castelhano ver" (y para hispano).
.....................

LAS CUATRO GARES



niñez

El gran camisón
El jarro
El pajarito
El oceáno
La visita en nuestra casa cuando nos sentábamos en el sofá

adolecencia

Aquel amor
vos ni me hablés

madurez

El Sr. y la Sra. Amadeu
 Participan a V. E.
El dichoso nacimiento
De su hija
Gilberta


vejez

El nietito tiró los anteojos
A la letrina


in “Primer cuaderno del alumno de poesía Oswald de Andrade (Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade)”, 1927

Traducción Adrian'dos Delima





SECRETARIO DE LOS AMANTES

I
Acabé de tomar un excelente almuerzo
116 francos
Cuarto 120 francos con agua corriente
Calefacción central
Ves que estoy bien de finanzas
Besos y cosas de amor
 
II
Bestia querida
Estoy sufriendo
Sabia que iba a sufrir
Qué tristeza este apartamento de hotel
 
III
Granada sin ti
A pesar del sol de oro
Y de las rosas rojas
 
IV
Mi pensamiento hacia Medina del Campo
Ahora Sevilla envuelta en oro pulverizado
Los naranjos salpicados de frutos
Como una dádiva a mis ojos enamorados
Sin embargo qué tarde la mía
 
V
Qué alegría tu cable
Quedé tan contento
Que fui a la misa
En la iglesia todos me miraban
Ando desperdiciando belleza
Lejos de ti
 
VI
¡Qué distancia!
No lloro
Porque se me ponen feos los ojos
 
 
 
Traducción de Jaime Tello. Extraído de Cuatro Siglos de Poesía Brasileña. Caracas: Centro Abreu e Lima de Estudios Brasileños; Instituto de Altos Estudios de América Latina/Universidad Simón Bolívar, 1983.







sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Above Pate Valley, poema de Gary Snyder

.
Acima do Pate Valley


                                                                 Gary Snyder                 

O sábio da montanha, que Zaratesta detrusta, não chegou lá de helicóptero.
                                  
                                                                
Terminamos de limpar o último
Trecho da trilha pelo meio-dia,
Bem alto na encosta do espinhaço
Dois mil pés acima do rio
Vencido o passo, e seguimos
Além dos bosques de pinheiro branco,
Ombros de pedra, até um pequeno
Campo verde salpicado de neve,
Bordado pelo sol dos álamos
À pino no alto e em brasa
Mas era o ar fresco.
Comemos uma fria truta frita nas
Sombras trêmulas. Espiei
Uma cintilância, e achei um cristal
De vidro preto vulcânico — de obsidiana —
Com uma flor perto. Mãos e joelhos
Afastando o Capim-Urso, milhares
De vestígios de pontas-de-flecha sobre uma
Centena de jardas. Ponta nenhuma
Boa ponta, somente lascas de lâminas
Em uma colina toda nevada se não fosse verão,
Uma terra de cervos engordados,
Que vieram acampar conosco. Pelas próprias
Trilhas. E eu segui a minha trilha
Interior até aqui. Juntando a broca,
A picareta, o martelo, e o saco
De dinamite.
Dez mil anos.

Tradução Adrian'dos Delima

....................

Above Pate Valley

by Gary Snyder


We finished clearing the last   
Section of trail by noon,
High on the ridge-side
Two thousand feet above the creek   
Reached the pass, went on
Beyond the white pine groves,   
Granite shoulders, to a small
Green meadow watered by the snow,   
Edged with Aspen—sun
Straight high and blazing
But the air was cool.
Ate a cold fried trout in the   
Trembling shadows. I spied
A glitter, and found a flake
Black volcanic glass—obsidian—
By a flower. Hands and knees   
Pushing the Bear grass, thousands   
Of arrowhead leavings over a   
Hundred yards. Not one good   
Head, just razor flakes
On a hill snowed all but summer,   
A land of fat summer deer,
They came to camp. On their   
Own trails. I followed my own   
Trail here. Picked up the cold-drill,   
Pick, singlejack, and sack
Of dynamite.
Ten thousand years.



                                                                                        

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Aardvark - mais um de "A Bestiary", de Kenneth Rexroth

                                                    
O Aardvark (Letra A do ABC-Bestiário de Kenneth Rexroth) 

O achador do aardvark
Saiu zombado do ato
Da Academia Holandesa. 
Ninguém podia crer nele.
O aardvark pôde vingar-se –
Voltou em sonhos, fumaça,
Cartas de autoria anônima.
Um dia alguém descobriu,
Que ele estava o tempo todo
Em Hyeronimus Bosch. De onde  
Se esgueirara para a África.



Tradução Adrian'dos Delima 

...
Aardvark 
Resposta: aardvark não existe.

The man who found the aardvark
Was laughed out of the meeting
Of the Dutch Academy.
Nobody would believe him.
The aardvark had its revenge –
It returned in dreams, in smoke,
In anonymous letters.
One day somebody found out                                                       
It was in Hyeronimus
Bosch all the time. From there it
Had sneaked off to Africa.                                                                      



quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Mais uma traição a e.e. cummings, com poema que foi dele.



des
es
toques
ded

  omai

ilh
antes
da n
évoa

  slen

os quais
torn
am
se quems         

  to

gentes
vêm a
des
ser




Traição Adrian'dos Delima
.........................................

             un
             der
             's
             touch

slo

             ings
             fin
             gering
             s

wli

             whichs
             turn
             in
             to whos

est

             people
             be
             come
             un



e.e. cummings


                    

Hay for the horses, poema de Gary Snyder, sobre algum trabalhador

.........................................
Feno para os cavalos

Ele guiava metade da noite
De muito abaixo de San Joaquin
Através de Mariposa, subindo as
Estradas perigosas do morro,
E arribou pelas 8 da manhã
Com seu baita carreto de feno
atrás do celeiro.
Com guinchos e cabos e braço
Empilhamos os fardos em cima
De vigas de sequóia espaçadas
Alto na sombra, flocos de alfafa
Rodando pelas telhas-frestas de luz,
Comichar da poeira do capim seco na
camisa suada e nos calçados.
No horário do almoço sob o carvalho
Na entrada do estábulo abafado,
---A égua velha fuçando no cocho,
Gafanhotos ziziando nos matos---
"Eu tenho sessenta e oito" disse ele
"Na primeira carga de feno eu tinha dezesseis.
Eu pensei, naquele dia em que começava,
Por certo odiaria fazer isto toda a vida.
E dane-se, não foi mais nada
O que eu fui e fiz."

Tradução Adrian'dos Delima

..............................................


Hay For The Horses 

He had driven half the night
From far down San Joaquin
Through Mariposa, up the
Dangerous mountain roads,
And pulled in at eight a.m.
With his big truckload of hay
behind the barn.
With winch and ropes and hooks
We stacked the bales up clean
To splintery redwood rafters
High in the dark, flecks of alfalfa
Whirling through shingle-cracks of light,
Itch of haydust in the
sweaty shirt and shoes.
At lunchtime under Black oak
Out in the hot corral,
--The old mare nosing lunchpails,
Grasshoppers crackling in the weeds --
"I'm sixty-eight" he said,
"I first bucked hay when I was seventeen.
I thought, that day I started,
I sure would hate to do this all my life.
And dammit, that's just what
I've gone and done."

                             Gary Snyder

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

The Red – Blaze – is the Morning (Emily Dickinson)


... 

The Red – Blaze – is the Morning
The Violet – is Noon –
The Yellow – Day – is falling –
And after that – is none –

But Miles of Sparks – at Evening –
Reveal the Width that burned –
The Territory Argent – that
Never yet – consumed –


Emily Dickinson






O Vermelho – em fogo – é a Manhã –
O Violeta – a Tarde que vem –
O Amarelo – o Dia – baixando –
E depois disto –  é mais ninguém.

Só milhas de faíscas – na Noite –
Revelam a extensão do Fogo –
O Argênteo Territórrio – que
Todavia jamais – se consome –

                                  Tradução Adrian'dos Delima                                            
Faísqueira
                                         
............................................                                                                    

sábado, 13 de novembro de 2010

Ronald Augusto, il miglior (des) fabbro: provocando um pouco


...............................................
ENTENDA QUEM QUISER

FILHO-DA-PUTA
esse Ronald Augustus que não se preocupa com
leitor seja ele leitor funcional ou não
FILHO-DA-MÃE
embora por o que sei à sua mãe
todo o respeito
era poeta pelo menos de receitas caseiras
para a família
bons sab(e)ores para a lembrança de quando criança 
e a ela devemos além de a:
Manuel Bandeira
a existência do Ronald Poeta:
vejam só de qual dupla ascendência perfeita
nasce um grande autor

direi: não entendo
e é só problema meu
...

Outro dia leio com orgulho o que ostento
mirrado livro em papel
com dedicatória de Ronald Augusto:
que recebi pelo correio:
NO ASSOALHO DURO (2007)
no assoalho duro temos uma base sólida para
um poeta de tanto peso
embora há mais de 30 anos o poeta escave seus fundamentos

do que passou no passado ainda saberei
...
e como há dito meu amigo invisível Henri Meschonnic

não sei
o que ontem
será
o que fará o passado
o desconhecido
não é amanhã
é o que ontem
fará de
amanhã

...

Em o NO ASSOALHO DURO
Ronaldaugusto
autor de uma poesia rediscursiva
ao meu gosto
.    .
.    .
Charles Bernstein
e outros muito poucos
desforma
ressignifica o dessignificado
rereferencia as não-coisas
e assim
reverências ao grande desfabro

...
O primeiro poema de Ronal Augusto que caiu ao meu gosto
(foi
fantástico)
foi a fantástica visão de uma vaca
"outra fera alegórica"


outra fera alegórica

a vaca cor de barro
eu vinha de longe em longe
quando ela me viu
achei no seu olho de boi
um ameaço

havia uma bifurcação
por onde enfiar a esperança
e o temor
ao pé de mim a cada passo
suas bostas

antes deste empate
eu ouvia os sapos
cada coaxar era um buraco
esponjoso de onde um som
de água opaca


não tenho idéia de qual seria a primeira referida não referida fera (se não os sapos, talvez os do Bandeira)


mas sendo fantástica
aquela é a vaca mais real que já vi de perto


sendo eu amador da poesia tipo Gary Snyder, chineses, japoneses clássicos
pelas trilhas por donde andei
já topei com a mesma


já em um trekking noturno certa feita encontrei o topoi bem vivo
o boi-da-cara-preta
(mesmo que à noite tudo seja pardo)


na minha própria trilha
não havia para mim bifurcação
a única esperança era fechar os olhos e seguir rezando
ou abrir os olhos e voltar para o real bem seguro atrás de mim


eu (um mas) nunca disse dessa vaca

Ronald a disse melhor que qualquer


e dante sua vaca só resta ir adiante e descobrir
sua mais poesia cheia de desvio, de Y, bi, tri, tetra (ou talvez bem mais)
forquilhada


GRANDE FILHO 
esse cara

elogio por Adriandos Delima

                                      
                                                                                   Visual poetry by Ronald Augusto


....................................................................... 

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Poema de A Bestiary, de Kenneth Rexroth, Tradução Adrian'dos Delima

.........................................
Este é um dos poemas de "A Bestiary" de Kenneth Rexroth, a letra "U (S?)" do seu "ABC-bestiário", uma série de poemas infantis dedicados às filhas do poeta estadunidense.
.........................................

Tio Sam

Como o unicórnio, Tio
Sam é o que se chama um mito.
Platão escreveu um livro
Que é um conluio oculto
De senhores pederastas.
Ali expressou idéias
Mais reais fidalgamente
Que o real, e tais mitos
Ajudam a conservar
O povo no seu lugar.
Desde que não nos tornemos,
Sob nenhuma circunstância,
Cavalheiros pederastas,
Melhor se faz em deixar
Noções vampirescas lá,
Pra esses que as acham úteis.

Kenneth Rexroth
Tradução Adrian'dos Delima

....................................................................................................

Olga Novo, quase novíssima poeta da Galícia, traduzida ao português.



................................................................................................

A ideia da beleza

F    O    D     E    R

Fora.
Fora tribo.
… Se bailasses comigo
haverias de comer o saber

cru
a impalavra do meu caráter montanhês
bárbaro
e abutral
haverias de beber as urinas benzidas por belze
bu
come

come
tu.

A forânea levo numa língua anticrista uma flor uma flor uma flor
tão aberta
que pensa
…se bailasses comigo
até me partir o espinhaço e fazer duas de mim
meu bem
se me visses bem
vem
e baila comigo.

Vivi com a boca seca como o deserto de Dakar
até tocar
a ponta infinitesimal das minhas mijadas
marquês
marquês do nada
só senhor da minha vagina noite imensa papila gustativa do mundo
vulva perfuradíssima
botão da terra
anti-lei da gravitação universal.

O centro da terra não atrai os meus verbos
eu te dou eles de comer na tua ânsia coprófila
esta excrementação silábica esta apalavração
que me inflama os intestinos
cheios de amor
e merda.

A ideia da beleza
cruzando o céu para o sul
na migração das aves
descreve a curva depravada
o grau mais alto
de poesia pura
caindo como o suor pelos teus poros
abertos que são
buracos negros
e uma coisa preciosa da astrofísica.

A ideia da beleza migra no teu guspe
essa substância que rompe a barreira do som
sobre mim
podemos
Foder
até romper a paus o espírito de Deus
podemos
Foder até sentir o cu da noite
onde ninguén viu as patas duma garça
anunciar a luz do dia
Foder
até arrasar as cordilheiras da miséria
podemos
Foder
até cair
sentir o crac do cromossomo do poder
podemos
Foder até tocar a nosa solidão com teu prepúcio só
Foder
nos
até o final
até ver a morte curvando-se na derradeira postura do prazer
Foder
até
Foder
e já não ser
mais
que a sombra duma dimensão fodendo a quatro patas
na borda do universo
tu e eu
Fodendo de joelhos
na noite estrelada da mente de Platão
pensando
talvez
na ideia da beleza.


Tradução Adrian'dos Delima
............................................................................................................


 A idea da beleza

F       O       D       E       R
Fóra.
Fóra tribo.
… Se bailaras comigo
habías de comer o saber
cru
a impalabra do meu carácter montañés
bárbaro
e voitral
habías de beber os ouriños benditos por belce

come

come
tú.
A foránea levo nunha lingua anticrista unha flor unha flor unha flor
tan aberta
que pensa
…se bailaras comigo
ata partirme o espiñazo e facer dúas de min
meu ben
se me viras ben
ven
e baila comigo.

Vivín coa boca seca coma o deserto de Dakar
ata tocar
a punta infinitesimal dos meus mexos
marqués
marqués da nada
só señor da miña vaxina noite inmensa papila gustativa do mundo
vulva perfuradísima
botón da tierra
antilei da gravitación universal.

O centro da terra non atrae as miñas verbas
eu douchas de comer na túa ansia coprófila
esta excrementación silábica esta apalabración
que me inflama os intestinos
cheos de amor
e merda.

A idea da beleza
cruzando o celo cara o sur
na migración das aves
describe a curva depravada
o grao máis alto
de poesía pura
caendo coma a suor polos teus poros
abertos que son
buratos negros
e unha cousa preciosa da astrofísica.

A idea da beleza migra no teu cuspe
esa substancia que rompe a barreira do son
sobre min
podemos
Foder
ata romper a paus o espírito de Deus
podemos
Foder ata sentir o cu da noite
onde ninguén viu as patas dunha garza
anunciar a luz do día
Foder
ata arrasar as cordilleiras da miseria
podemos
Foder
ata caer
sentir o crac do cromosoma do poder
podemos
Foder ata tocar a nosa soedade co teu prepucio só
Foder
nos
ata o final
asa ver a morte curvándose na derradeira postura do pracer
Foder
ata
Foder
e xa non ser
máis
cá sombra dunha dimensión fodendo a catro patas
no borde do universo
ti e eu
Fodendo de xeonllos
na noite estrelada da mente de Platón
pensando
quizáis
na idea da beleza. 



Orixinal de Olga Novo

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Poema de Joan Brossa, MOTS, traduzido ao português


.................................................
"MOTS"


Führer
Duce
Caudillo

(Uns mots de pobres diables
que es cagaven pels estables.)

Joan Brossa

.....................................................

"PALAVRAS"

Führer
Duce
Caudilho

(Umas palavras de pobres diabos
que se cagavam pelos estábulos.)


Tradução Adrian'dos Delima

Para o autor desta pintura, Jesus Cristo pertencia à raça pura ariana (ou, no mínimo, quase pertencia). Quem seria o artista alemão que se tornou conhecido mais tarde por pintar horrores na vida verdadeira, retratando judeus, ciganos, negros e eslavos como demônios?
E, viram no que deu terem o considerado um pintor medíocre? O cara pirou pra valer.
Podiam ter dado uma chance ao sujeito...
............................................................

domingo, 7 de novembro de 2010

Jorge Riechmann (Madri, 1962)

Inclusive poemas de amor(?) se vê por aqui... poema de Jorge Riechmann. E mais um pouco da sua caligrafia.

..........................................

INCREDULIDADE

Não és
possível,
não é possível
que todo o calor do mundo
tenha tomado a forma do teu corpo
estendido e irradiante junto ao meu,
não é possível teu colo
girando sobre a almofada lentamente
como farol de sorte,
tanta frutificação não é
possível, tão alta primavera
transbordando teus peitos e tuas mãos
até inundar todas as alcovas de minha vida,
não é possível o pulsar de teu sonho
quando convoca
paisagens como carícias, dédalos sussurrados
de fraternidade e auxílio e maravilha,
não é possível a paz de teu ventre loiro
se te busco debaixo dos lençóis.
Nua não és possível. Junto a mim não és possível.
És o mais real e não és possível.

(Poema de "Cuaderno de Berlín, 1989)

Tradução Adrian'dos Delima



 Extraído do livro "Las artes de lo imposible", Editorial Azotes Caligráficos
Valencia, Valencia, Spain
C/ José Mª Bayarri, 7-12izq (46014, Valencia) editorial@azotescaligraficos.com
http://azotescaligraficos.blogspot.com/2010/11/las-artes-de-lo-imposible-de-jorge.html

..........................................................................................

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Poemas de Juan Manuel Bonet, tradução Adrian'dos Delima.

Poemas de Juan Manuel Bonet traduzidos ao português, Adriandos DeLima. Dos livros "Praga" e "Café des exilés".






  CONTRA OS POETAS FUNCIONÁRIOS

  Disseste, meu velho amigo Vítězslav,,
  melhor que ninguém,
  Praga
  a dos dedos de chuva.
  Mas agora reinas, atrás da placa
  de uma negra limousine russa,
  sobre Praga
  a dos dedos de sangue.

  (Praga, 1994)




  CONTRA LOS POETAS FUNCIONARIOS

  Dijiste, mi viejo amigo Viteslav,
  mejor que nadie,
  Praga
  la de los dedos de lluvia.
  Mas ahora reinas, tras la chapa
  de una negra limousine rusa,
  sobre Praga
  la de los dedos de sangre.




BODEGA CUBISTA

 Quatro garrafas, um jornal vespertino,
 umas sombras chinesas, um frasco de pílulas
 emagrecedoras, um ticket de bonde, o
 recibo da luz, um convite para a ópera,
 o informe de um espião:
 somente falta, pra que esta bodega
 possa adjetivar-se de praguense,
 a sombra de uma cúpula
 e um pouco de espuma de cerveja.


Sumiiiu (ou "brincadeira de esconder com Stalin")








  BODEGÓN CUBISTA

  Quatro botellas, un periódico de la noche,
  unas sombras chinescas, un bote de píldoras
  adelgazantes, un ticket de tranvía, el recibo
  de la luz, un invitación a la ópera,
  el inform de un espía:
  sólo faltan, para que este bodegón
  pueda adejetivarse de praguense,
  la sombra de un cúpula
  y un poco de espuma de cerveza.



(Praga, 1994)

*No livro "Praga", de 1994, Bonet "fala" através de um poeta de vanguarda, talvez tardio (e "imaginário") que teria vivido na Tchocoslováquia após a II Guerra Mundial. Viteslav, em forma de transliteração corrente na língua castelhana, nome citado no primeiro poema dos dois acima traduzidos, claramente refere-se ao poeta checo Vítězslav Nezval, um dos principais líderes das vanguardas naquele país, criador do "poetismo", estética desenvolvida dentro do grupo Devětsil dos anos de 1920, o qual contou com colaboradores como Roman Jakobson e, posteriormente, um dos introdutores da tendência surrealista naquele país, a qual ele utilizou de maneira alternada ou fundida aos postulados estéticos desenvolvidos pelo grupo anterior ao regime stalinista, quando Nezval passou a gozar de altos cargos envolvendo o trabalho com a informação e a cultura, especialmente o cinema, e não havendo mais produzido obra poética de vulto desde então.   

............................................


ESPERA EM WILANOW

Pelo canal entre folhas mortas
desliza o céu de outubro,
tão alto como é o som
de teus passos dentro de mim.
Na outra ribeira, uma carreta
avança. Um pássaro pesca.
Enquanto te espero, retenho
em meus olhos os elementos
que hoje, depois de tanto tempo,
compõem este poema.

(Café des exilés, 1990)

..........................................................

LANOWLANOW
 ESPERA EN WILANOW     


  Por el canal entre hojas muertas
  se desliza el cielo de octubre,
  tan alto como el sonido
  de tus pasos dentro de mí.
  En la otra ribera, una carreta
  avanza.Un pájaro pesca.
  Mientras te espero, retengo
  en mis ojos los elementos
  que hoy, después de tanto tiempo,
  componen este poema.


 
..........................................................

  Traduções Adrian'dos Delima

..........................................................

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Tradução quase livre de poema de Jerome Rothenberg

..................................................................

O VIGÉSIMO SÉCULO ILIMITADO

como o vigésimo século perde força
o décimo nono começa
de novo
            é como se nada se passasse
            embora aqueles que o viveram achassem
            que tudo estava se passando
            o bastante para nomear um mundo para & por um tempo
            pegá-lo na sua mão
            ilimitada    a última quimera
            como a máscara perfeita da defunção




Tradução Adrian'dos Delima


........


TWENTIETH CENTURY UNLIMITED

as the twentieth century winds down
the nineteenth begins
again
         it is as if nothing happened
         though those who lived it thought
         that everything was happening
         enough to name a world for & a time
         to hold it in your hand
         unlimited    the last delusion
         like the perfect mask of death


Jerome Rothenberg









Hugo Ball no Cabaret Voltaire: invisível desacontecimento 
dadá do século XX.










.........................................................................................
Imagem principal: Futurista italiano Luigi Russolo com sua máquina de ruídos. Fotografia: Hulton Archive