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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Le bruit des cabarets de Paul Verlaine, em tradução de Ricardo Silvestrin.




O som dos botequins...

O som dos botequins, a lama do meio-fio,
Os plátanos que se descascam no ar sombrio,
O ônibus, furacão de ferragem e breu,
Que range, mal assentado sobre cada pneu,
E rola os olhos verdes e rubros lentamente,
Os obreiros diante do clube, todos fumantes
Com os seus pitos nas narinas da polícia,
Teto com goteira, muro que é só caliça,
Asfalto gasto, rio de sujeira rumo ao bueiro,
Minha rota é assim - com o paraíso no fim.


Tradução de Ricardo Silvestrin

***

Le bruit des cabarets...


Le bruit des cabarets, la fange du trottoir,
Les platanes déchus s’effeuillant dans l’air noir,
L’omnibus, ouragan de ferraille et de boues,
Qui grince, mal assis entre ses quatre roues,
Et roule ses yeux verts et rouges lentement,
Les ouvriers allant au club, tout en fumant
Leur brûle-gueule au nez des agents de police,
Toits qui dégouttent, murs suintants, pavé qui glisse,
Bitume défoncé, ruisseaux comblant l’égout,
Voilà ma route – avec le paradis au bout.






segunda-feira, 14 de novembro de 2011

James Joyce, de seu primeiro livro, Chamber Music XXXV, inspirado em poema de Paul Verlaine.









Chamber Music XXXV

Todo dia de água eu ouço o som
Em monotom,¹
Como indo o albatroz avança, torvo,
No abandono,
E ouve o grito do vento ao som
Do mar queixoso.

Do vento gris, do vento frio é o sopro
Onde eu vou.
De muitas águas ouço o som
Lá ao longe.
Pra lá, pra cá, fluindo as ouço,
Dia e noite.

Tradução: Adrian'dos Delima



            CHAMBER MUSIC XXXV 

All day I hear the noise of waters
         Making moan,
Sad as the sea-bird is when, going
         Forth alone,
He hears the winds cry to the water's
         Monotone.

The grey winds, the cold winds are blowing
         Where I go.
I hear the noise of many waters
         Far below.
All day, all night, I hear them flowing
         To and fro.




 
     CANÇÃO DO OUTONO

Longos bordões
Dos violões²
Pelo outono
No peito soam
Com um langor
De um só tono.³

Já sufocando
E branco, quando
Soa a hora,
Eu lembro ainda
Dos dias findos
E então choro.

E eu já me vou
Que o vento mau
Me transporta
Pra cá, pra lá,
Feito igual à
Folha morta.

Tradução: Adrian'dos Delima




 Chanson d'automne
        
Les sanglots longs
Des violons
De l'automne
Blessent mon coeur
D'une langueur
Monotone.

Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure

Et je m'en vais
Au vent mauvais
Qui m'emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.




1 no original, monótono
2 no original, violinos
3 no original, monótono


Nota crítica: semelhanças sem coincidências.

Nota da tradução do poema de Joyce: Quanto ao "monotom" do XXXV, isto foi neologizado na tradução. No poema original do Joyce não havia nenhum neologismo. Mas já que outros poemas do livro possuíam invenções de palavra, tasquei um neologismo ali, que aí dá pra ter uma idéia mais completa do livro, com a leitura de um poeminha só.


sábado, 22 de maio de 2010

Esse é James Joyce como poeta (em "Música de Câmara", poema XXXV), meio "inspirado" em Paul Verlaine

Poema de "Música de Câmara", número XXXV. Com claras semelhanças com "Canção do Outono", de Paul Verlaine.



Chamber Music XXXV

Todo dia de água eu ouço o som
Em monotom,¹
Como indo o albatroz avança, torvo,
No abandono,
E ouve o grito do vento ao som
Do mar queixoso.

Do vento gris, do vento frio é o sopro
Onde eu vou.
De muitas águas ouço o som
Lá bem longe.
Pra lá, pra cá, fluindo as ouço,
Dia e noite.

Tradução: Adrian'dos Delima














Comparem com,  de Paul Verlaine

CANÇÃO DO OUTONO

Os choros longos
Dos violões
Pelo outono
No peito soam
Com um langor
De um só tom.²

Já sufocando
E branco, quando
Soa a hora,
Eu lembro ainda
Dos dias findos
E então choro.
E eu me vou
Que o vento mau
Me transporta
Pra cá, pra lá,
Igual faz à
Folha morta.


Tradução: Adrian'dos Delima



1 no original, monótono
2 no original, monótono



Nota crítica: semelhanças sem coincidências.


Nota da tradução do poema de Joyce: Quanto ao "monotom" do XXXV, isto foi neologizado na tradução. No poema original do Joyce não havia nenhum neologismo. Mas já que outros poemas do livro possuíam invenções de palavra, tasquei um neologismo ali, que aí dá pra ter uma idéia mais completa do livro, com a leitura de um poeminha só.