Muita arte na rede Ello. Visualize:

Muita arte na rede Ello:

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

2 poemas de Hector de Saint-Denys Garneau, considerado o primeiro poeta vanguardista quebequense, tradução ao português Adrian'dos Delima.

  
               
                                                        LE JEU

                                  fragment

 Ne me dérangez pas je suis profondément occupé

 Un enfant est en train de bâtir un village
 C'est une ville, un comté
 Et qui sait
              Tantôt l'univers.
 Il joue

 Ces cubes de bois sont des maisons qu'il déplace
                                                                     et des châteaux
 Cette planche fait signe d'un toit qui penche
                                                              ça n'est pas mal à voir
 Ce n'est pas peu de savoir où va tourner la route
                                                                    de cartes
 Ce pourrait changer complètement
                                            le cours de la rivière
 À cause du pont qui fait un si beau mirage
                                                         dans l'eau du tapis
 C'est facile d'avoir un grand arbre
 Et de mettre au-dessous une montagne
                                                       pour qu'il soit en haut.

   
  Hector de Saint-Denys Garneau
  in Regards et jeux dans l'éspace, 1937

         ***


O BRINQUEDO (fragmento)

Não me desconcentrem eu estou profundamente ocupado

Um guri está em plena construção de um vilarejo
É uma cidade, um condado
E quem sabe
               Em seguida o Universo
Ele brinca

Esses cubos de pau são casas que ele translada
                                                                  e castelos
Esta tábua é sinal dum telhado que baixa
                                                           nada mau de se ver
Isso não é pouco saber onde vai dobrar o caminho
                                                                    de cartas
Isto poderia mudar no seu todo
                                           o traçado do rio
Em função da ponte que cria tão bela miragem
                                                              dentro da água do tapete
É fácil de ver uma grande árvore
E de meter por debaixo uma montanha
                                                     pra ela estar no topo.


                                                                         Tradução Adrian'dos Delima 




*********** 



 NOUS NE SOMMES PAS

 Nous ne sommes pas des comptables

 Tout le monde peut voir une piastre de papier vert
 Mais qui peut voir au travers
                                       si ce n'est un enfant
 Qui peut comme lui voir au travers en toute liberté
 Sans que du tout la piastre l'empêche
                                       ni ses limites
 Ni sa valeur d'une seule piastre

 Mais il voit par cette vitrine des milliers de
                                       jouets merveilleux
 Et n'a pas envie de choisir parmi ces trésors
 Ni désir ni nécessité
 Lui
 Mais ses yeux sont grands pour tout prendre.


Hector de Saint-Denys Garneau
in Regards et jeux dans l'éspace, 1937


     ***

NÓS NÃO SOMOS

Nós não somos contadores

Todo mundo pode ver um dólar de papel verde
Mas quem pode ver através
                                       se esse não é uma criança
Quem pode como ela ver através com toda liberdade
Sem que por completo o dólar a impeça
                                               nem seus limites 
Nem seu valor de um só dólar

Mas ela vê nessa vitrine os milhares de
                                  brinquedos maravilhosos
E não tem ânsia de optar entre tais tesouros
Nem desejo nem necessidade
Ela
Mas seus olhos são grandes para tudo pegar.

                                                                   Tradução Adrian'dos Delima   

Brincou
  

domingo, 4 de setembro de 2011

2 poemas de Adrian'dos Delima

***
 

ASCENSO SELECIONADO                                        

próximo a
filho da
acostumado a, com
nocivo a
necessário a

relacionado com
filho de
ojeriza por
útil para

desejoso de
união com
apto a
entendido em
hábil em
versado em
grato a

diferente de
preferível a
suspeito de
impróprio para

compatível com
escasso de
vazio de
alheio a, de
fácil de
essencial para


1990

******************************


ESTADO DAS COISAS ENFRAQUECIDAS
OU A VELHICE DO MUNDO
E UM BOM COMEÇO
POR ONDE SAIR UMA FANOPÉIA


chuva está neblina
fogo está brasa

floresta está capão
banhado está aterro
rio está rêgo
bio está artifício
mundo está planeta
poesia não está nada
a
legria está momentos
sentimento está emoção
amor está cumplicidade
casamento está sociedade
irmandade está reunião
união está vínculo
homem está ser
poesia está nada
e porque p
ecado está erro
erro está falha
crime está deslize
trabalho está guerra
guerra está negócio
negócio está guerra
guerra está trabalho
férias está parada
poesia está nada
almoço está fast-food
fama está 15 segundos
talento está fama
vida está passagem
morte está dinheiro
religião está dinheiro
ciência está dinheiro
ciência está poder
sexo está poder
mulher está ser
poesia não está nada
então humano está ser
mundo está planeta
vida está passagem
chuva está neblina
fogo está brasa
poesia está nada
poesia não está nada


31 08 2011

sábado, 3 de setembro de 2011

That dada strain: Aquela melodia, aquela fanfarra, aquele estresse, aquele esforço , aquela linhagem, aquela deformação dada? Poema de Jerome Rothenberg traduzido por Adrian'dos Delima.

Alossom, fonte das falas. Inspiração na "Fonte",
fonte de Duchamp. 



That Dada Strain  


the zig zag mothers of the gods
of science       the lunatic fixed stars
& pharmacies
fathers who left the tents of anarchism
unguarded
the arctic bones
strung out on saint germain
like tom toms
living light bulbs
aphrodisia
“art is junk” the urinal
says “dig a hole
“& swim in it”
a message from the grim computer
“ye are hamburgers”

                           in That Dada Strain, 1983  

***



AQUELE SOM DO DADA


as mães ziguezagues dos deuses
da ciência      as lunáticas & fixadas estrelas
& as farmácias
pais que deixaram as tendas do anarquismo
indefensas
os árticos ossos
fissurados em saint-germain
igual tom-tons
avivando bicos de luz
afrodisia
“arte é dejeto” o urinol
diz “cave um furo
“& bóie nisto”
uma mensagem do computador duro
“vós sois hambúrgueres”


                       Tradução Adrian'dos Delima



Nota: Com base na polissemia das palavras articuladas à moda "desconexa" dadaísta, preferi na tradução criar equivalências ao cimento fonético dos vocábulos utilizado no texto de partida, o qual utiliza o mero som como principal elemento de coesão, sem preocupações etimológicas. Minha escolha se demonstra desde o título "Aquele som do dada". 

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Poema 4 de “A SENECA JOURNAL”, obra de Jerome Rothenberg, traduzido por Adrian'dos Delima




Alpha & Omega


1.

beaver at the beginning of
the world (they said)
he was their father master
builder god who taught his son
to hunt           progenitor of tribes

2.

by 1640
was not a beaver left
for skins in all of
New York State



Jerome Rothenberg
Salamanca, N. Y.
6. ii. 74

Extraído da revista Alcheringa (ethnopotics)
new series
volume one
number 1
1975


***


Alfa & Ômega

1.

castor no princípio do
mundo (contaram)
ele foi pai mestre deles
deus construtor que ensinou ao filho
a caça                  progenitor dos povos


2.

lá por 1640
não mais foi declarado um só castor
para pele em todo o
Estado de  Nova Iorque 


traduzido por Adrian'dos Delima
   




                                                      
               Então, os primitivos acabaram com os castores e com sua prole.




Notas:
*Este poema, dentro da linha da etnopoética publicado pela revista Alcheringa em 1975, faz um duplo registro histórico. Em um primeiro momento, registra um mito de criação de povos nativos do leste dos EUA, tal como os Chelans, para quem a figura do castor tem uma importância central nos primórdios do mundo, tendo sido criado pelo “Grande Chefe do Alto” para ser transformado, posteriormente, no primeiro humano (pai das tribos). Na segunda parte do poema, mostra o resultado da exploração pragmático-comercial da pele de castor pelo homem branco no Estado de Nova Iorque, o qual se desenvolveu, no período, graças a esta atividade. Desta forma, o homem branco destrói o símbolo da criação deste povos nativos, bem como uma das fontes da sua sobrevivência. Produzindo uma crítica sóco-histórica desde o ponto de vista dos povos mais fracos, utlizando-se dos elementos culturais dos povos nativos, deglutindo a cultura do branco ocidental para cpntestá-la, o trabalho de Rothenberg se aproxima, aqui, do Movimento Antropofágico brasileiro de Oswald de Andrade.

*Observe-se que em 1640, ano final da migração puritana, obviamente, não existia um Estado de Nova Iorque. Por isso, a palavra "State", aqui, pode subentender a idéia, por exemplo, de "estado/situação", mesmo sendo grafada com maiúscula após "New York". Bem como subentender a idéia de "Declaração de Nova Iorque".

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

El primitivismo de "Poemas rupestres", de Manoel de Barros, en poema traducido al castellano.






Poema 4 da parte II do livro "Poemas rupestres", Vento



 




4                                                                                            
VENTO 
 

Se a gente jogar uma pedra no vento 
Ele nem olha para trás. 
Se a gente atacar o vento com enxada 
Ele nem sai sangue da bunda. 
Ele não dói nada. 
Vento não tem tripa. 
Se a gente enfiar uma faca no vento 
Ele nem faz ui. 
A gente estudou no Colégio que vento 
é o ar em movimento. 
E que o ar em movimento é vento. 
Eu quis uma vez implantar uma costela 
no vento. 
A costela não parava nem. 
Hoje eu tasquei uma pedra no organismo 
do vento. 
Depois me ensinaram que vento não tem
organismo. 
Fiquei estudado. 





        
                  VIENTO 

Si uno tira uma piedra en el viento
Él ni mira hacia atrás.
Si uno ataca el viento con azada
Él ni sale sangre del culo.
Él no duele nada.
Viento no tiene tripas.
Si uno mete el cuchillo en el viento
Él ni hace uy.
Nosotros estudiamos en el Colegio que el viento
es el aire em movimiento.
Y que el aire em movimiento es el viento.
Cierta vez yo quise implantar una costilla
en el viento.
La costilla no se afincaba ni siquiera.
Hoy le disparé una piedra en el organismo
del viento.
Después me enseñaron que viento no tiene
organismo.
Resulté un estudiado.                                              Traducción Adriandos Delima





NOTA: 

*La Real Academia Española dice que "estudiada" es una persona "afectada, amanerada". Sin embargo, he encontrado en Nicarágua, Argentina, Honduras y otros lugares el uso semejante al del poeta, que quiso decir con su "Fiquei estudado", precisamente "resulté un hombre con instrucción", significado acepto en el portugués, y este es el uso más popular, mientras "afetado, dissimulado, artificial" puede ser considerado un galicismo. Este último uso no se refiere a una persona, sino a "modos", "atitudes" o "gestos".  


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Poema de Adrian'dos Delima sobre o negócio da poesia










O NOSSO NEGÓCIO DE HOJE


o negócio do 俳haikai句 já foi
O negó$io agora é loongopéia modernosa de meia longura 
a gente tem mais que assuntar
a gente viu de tudo
a povo pouco que ler deixam de tempo
a gente já dançou a música da melopéia posta em dúvida
não resta dúvida quanto aos negócios

são negócios

isso é negócio

e este não é um negócio de dar dinheiro

        dance conforme

o tal deste negócio é poesia se chama

dê uma forma

quando você entra no mundo dos negócios é melhor ficar esperto
se não é um negócio que dá dinheiro não é um negócio que dá em árvore

então pode ser o nosso o nosso
negócio é escasso

o nosso aparece às vezes no sono
também quando você acorda
se você meio dorme
somos cordiais

negócios são fazer acordos

business são-nos feitos contra a nossa vontade
nós não somos desses
você no nosso negócio encontra um cliente ou outro e muito flanando por acaso
eles vêm porque querendo sendo-se independentes do mundo negócio
não porque desejam o que neles desejamos 
os que já eram nossos

Adrian'dos Delima


***


texto de apresentação do blogue de Jerome Rothenberg::
In this age of internet and blog the possibility opens of a free circulation of works (poems and poetics in the present instance) outside of any commercial or academic nexus. I will therefore be posting work of my own, both new & old, that may otherwise be difficult or impossible to access, and I will also, from time to time, post work by others who have been close to me, in the manner of a freewheeling on-line anthology or magazine. I take this to be in the tradition of autonomous publication by poets, going back to Blake and Whitman and Dickinson, among numerous others.*

+Isto não é um negócio, não negociamos. (Adrian'dos)


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Borrador de Paulo Leminski y otros poemas, traducidos al castellano por desemejantes recreadores.



 
        1 buen poema
 lleva años
       cinco jugando a la pelota,
 cinco más estudiando sánscrito,
       seis cargando piedras,
 nueve saliendo con la vecina,
       siete recibiendo puñetazos,
 cuatro andando solito,
       trés mudándose de ciudad,
 diez cambiando de tema,
       una eternidad, yo y vos,
 caminando cerca



Traducción Adrian'dos Delima 




Contranarciso

en mí
veo al otro
y a otro
y a otro
en fin decenas
trenes que pasan
vagones llenos de gente
centenas

el otro
que hay en mí
eres tú
tú
y tú

así como
estoy en ti
estoy en él
en nosotros
y sólo cuando
estamos en nosotros
estamos en paz
aunque estemos a solas



°°°




aún
a la edad
de ya ser
yo mismo

aún
confundo
felicidad
con este nerviosismo



°°°


un día
uno iba a ser homero
la obra nada menos que una ilíada

después
viendo el paquete
alcanzaba para ser un rimbaud
un ungaretti un fernando pessoa cualquiera
un lorca un éluard un ginsberg

por fin
terminamos siendo el pequeño poeta de provincia
que siempre fuimos
por detrás de tantas máscaras
que el tiempo trató como flores



°°°




un poema
que no se entiende
es digno de nota

la dignidad suprema
de un navío
perdiendo la ruta 



°°° 



Ópera fantasma


Nada tengo.
Nada me pueden quitar.
Soy el ex-extraño,
el que vino sin ser llamado
y, gato, se fue
sin hacer ningún ruido.   



°°°




El náufrago náugrafo




    la letra A se

hunde en el A

    tlántico

y pacífico con

    templo la lucha

entre la rápida letra

    y el océano

lento



    así

hondo fundo 

    y me hundo

de todos los náufragos

    náugrafo

el náufrago

    más profundo


Traducciones Rodolfo Mata


***************************** 
Poemas publicados en tsé≈tsé 6, Buenos Aires, 1999:



leche, lectura,
letras, literatura,
todo lo que pasa,
todo lo que dura
todo lo que duramente pasa
todo lo que pasajeramente dura
todo, todo, todo,
no pasa de caricatura
de vos, mi amargura
de ver que vivir no tiene cura


&&&


HEXAGRAMA 65


                  Ningún dolor por el daño.
Todo daño es bendito.
                  Del año más maligno,
nace el día más bonito.

1 día,
   1 mes, 1
      año. 


&&& 


DATILOGRAFANDO ESTE TEXTO


leer se lee en los dedos
no en los ojos
que los ojos son más dados
a secretos 

Traducciones Reynaldo Jiménez 

*************************

objeto
de mi más desesperado deseo
no sea aquello
por quien ardo y no veo

sea la estrella que me besa
oriente que me rija
azul amor belleza

haga cualquier cosa
pero por el amor de dios
o de nosotros dos
sea 

&&&


DANZA DE LA LLUVIA


señorita lluvia
me concede la honra
de esta contradanza
y vamos a salir
por esos campos
al son de esta lluvia
que cae sobre el teclado 

&&&


EL MINIMO DEL MAXIMO


Tiempo lento,
espacio rápido,
cuanto más pienso,
menos capto.
Si no entiendo eso
que pasa en lo íntimo,
¿importa mucho?
Rapto el ritmo.
Espaciotiempo ávido,
lento espaciodentro,
cuando me aproximo,
simplemente me deshago,
apenas el mínimo
en materia de máximo. 


Traducciones Carlos Ricardo

**************************************** 

El viejo Leon y Natália en Coyoacán



Esta vez no va a haber nieve como en petrogrado en aquel día
El cielo va a estar limpio el sol brillando
tu durmiendo y yo soñando

ni casacas ni cosacos como en petrogrado en aquel día
apenas tú desnuda y yo como nací
yo durmiendo y tú soñando

no va a haber más multitudes gritando como en petrogrado en aquel día
silencio los dos murmullos azules
yo y tu durmiendo y soñando

nunca más va a haber un día como en petrogrado en aquel día
nada como un día yendo atrás de otro viniendo
tu y yo soñando y durmiendo 





Versión de Vitor Ramil y Pedro Aznar de poema de Leminski con música de Vitor Ramil  


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Outro poema de Harry Crosby.

Oração

Sopro do vento vindo em sopro ao olvido    as lentas
teias do que foi extinto    ó mente deixa ao sol que entre